Futebol Internacional

Ao ENM, especialista em economia do esporte fala sobre efeitos que a Superliga pode gerar

Superliga da Europa
Foto: divulgação

Em entrevista para o Esporte News Mundo, o especialista em economia do esporte e desenvolvedor de Fair Play Financeiro para o futebol brasileiro em contrato com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Cesar Grafietti falou sobre os efeitos que a criação da superliga pode gerar nos clubes formadores do torneio e também daqueles que ficaram de fora. Ele também detalha como está a repercussão na Itália, onde mora atualmente e os três clubes de maiores poderes aquisitivos do país estão dentro do projeto.

Desde a oficialização do torneio no ultimo domingo (18) críticas de diversas partes foram feitas, sejam de atletas atuais ou ex-jogadores, torcedores, clubes e federações também se posicionaram todos contra a criação da superliga.

ENM: Qual o efeito da criação da Superliga para os clubes que estão dentro da ideia e como afetará quem está fora? Principalmente equipes como Leicester, Valência, Porto, Roma, entre outros.

Cesar: O principal efeito é financeiro. Aliás, único efeito. Porque esportivamente é um equívoco, inclusive para o futuro das equipes. Uma competição fechada sem equilíbrio real de receitas não sustenta 12 candidatos ao título. No final, no longo prazo teremos 4 ou 5 candidatos e 15 ou 16 coadjuvantes. Para os clubes menores é um problema agora, mas também uma oportunidade. Sem esses clubes os campeonatos passam a ser mais equilibrados, competitivos, e os interessados em futebol e não em entretenimento poderão se tornar torcedores e fazer essa nova realidade crescer.

ENM: Como está sendo a repercussão na Itália? Visto que os três maiores clubes do país se posicionaram a favor da criação da superliga.

Cesar: A repercussão é um misto de decepção com expectativa. Diria que uns 70% estão bastante decepcionados, mas há 30% que ainda enxergam uma possibilidade de voltar a ser relevante no cenário internacional, o que efeitvamente não acontece há anos.

ENM: É esmagadora as críticas e posicionamentos de jogadores, ex-atletas, federações e torcedores contra a superliga. Mas tentando olhar o outro lado, existe algum ponto positivo na criação desse torneio?

Cesar: O ponto positivo é o de tentar criar uma competição de alto nível. Mas tentativa não é certeza. Alguns clubes tem dificuldades com adversários bem mais frágeis atualmente.

ENM: É uma ideia que se comenta na Europa há 20 anos, o Wenger também cogitou em 2009 que fariam isso, mas por que demorou tanto a sair do papel? E qual foi o motivador final da criação da superliga?

Cesar: Demorou porque precisa de incentivo financeiro. Com muitos americanos controlando clubes, e isso dando acesso a fontes de financiamento, os clubes encontraram a oportunidade. Que foi também impulsionada pela crise da pandemia e as elevadas dívidas.

ENM: Aqui no Brasil dizem que a Superliga lembra a Copa União de 87, quando os maiores clubes tomaram a frente das decisões. Tem alguma semelhança nisso? Ou são coisas diferentes?

Cesar: Há semelhanças sim no conceito e na ideia. Clubes grandes, que ficavam presos a estaduais e competições nacionais complicadas, e que queriam mostrar que o futebol poderia gerar mais valor a todos. A verdade é que implodiu porque nem entre os dirigentes houve consenso e organização, que é um risco dessa liga. Quando os torcedores começarem a reclamar de falta de títulos, talvez os atuais donos já tenham realizado seus lucros e deixado o problema para outros.

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