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Apaixonado por futebol, Jô Soares foi ‘crítico’ de Telê e da CBF

Reprodução

O Brasil amanheceu com a notícia da morte do apresentador Jô Soares nesta sexta-feira (5), um dos maiores influentes da cultura brasileira também teve seu lado crítico ao futebol, apaixonado pelo Fluminense, Jô realizou entrevistas importantes com ídolos do esporte e também participou de debates sobre momentos vividos pela cultura esportiva do país.

Jô Soares foi um dos nomes importantes que participaram da modelagem dos comentaristas esportivos brasileiros, amigo pessoal de Pelé, o apresentador precisou ensinar ao craque brasileiro sobre como realizar comentários na televisão. O papel de Jô foi importante para o surgimento de muitos outros comentaristas.

Ainda assim, Boni, o criador do fantástico da TV Globo, sempre teve em mente que Jô deveria realizar comentários em formas de crônicas no programa, papel esse que foi exercido por Chico Anysio, outro humorista e também apaixonado pelo futebol. A ida dele para o SBT minou o planejamento.

Jô era torcedor do Fluminense, e um crítico das últimas gestões do clube, e admitiu que preferia ver o campeonato inglês ao invés das partidas do clube do coração. “Não dá para assistir a qualquer campeonato europeu, para mim principalmente o Campeonato Inglês, e deixar de ver um jogo para assistir a um do Fluminense, eu não consigo”, disse em entrevista ao ‘Bola da Vez’ na ESPN em 2018.

Jô Soares participou em 2018, no ano da Copa da Rússia, como comentarista especial da ESPN para o mundial, ali confessou que tem preferido assistir jogos europeus do que os brasileiros, “Com o tempo, fui me desvinculando da paixão clubística, porque o futebol passou a me interessar mais pela sua qualidade do que paixão clubística”.

Por diversas vezes nos últimos anos de seu programa, se tornou um crítico ferrenho à CBF e ao futebol praticado no Brasil, criticou publicamente o técnico Dunga quando este fez uma comparação racista enquanto comandava a seleção Brasileira.

Também apontou críticas às escolhas da CBF sobre seu principal mandatário, em que afirmou que a instituição não poderia estar nas mãos de homens corruptos.

Jô não poupou críticas aos treinadores brasileiros, antes da chegada da Era dos europeus atuando em terras tupiniquins, o apresentador já tinha se antenado pelo domínio do futebol europeu em Copas do mundo.

“Nunca houve um ciclo tão longo de predomínio do futebol europeu nas Copas. Como não há nada a aprender com isso? Precisamos dos técnicos deles. Eu aprendo todo dia. Saio na rua e sempre trago uma lição nova para casa. Descubro alguma coisa nova com pessoas na rua”, afirmou.

“Bota ponta na seleção, Telê!”

Em meados da década de 80, coube a Jô Soares fazer críticas humoradas ao treinador da seleção Brasileira, Telê Santana, em que na visão do apresentador não usava algumas peças importantes no esquema tático da Canarinho, como a presença de um ponta de velocidade para jogadas de contra-ataque.

Foi o personagem Zé da Galera do programa ‘Viva o gordo’ da TV Globo, que Jô Soares representou a crítica da torcida Brasileira a falta de ofensividade do futebol da seleção. Nascia então o bordão “Bota ponta Telê”, falado pelo personagem de um orelhão.

O personagem virou uma dor de cabeça para o treinador da seleção Brasileira , ele ganhou uma coluna na revista Placar, a mais influente da época, na qual insistia com o pedido.

Em 1986 , Jô Soares com o mesmo personagem fazia os mesmos pedidos ao treinador Telê Santana, mas dessa vez o personagem apontava a críticas a outras peças do elenco e não apenas ao técnico, Toninho Cerezo e Dirceu eram os principais alvos. O apresentador insistia para que o treinador desse uma chance para Muller e Careca atuarem juntos.

Maracanazo e a influência na vida profissional

Maracanazo / EBC

Jô soares foi uma das 199 mil pessoas que estiveram no Maracanã naquela final contra o Uruguai em que a seleção Brasileira perdeu por 2 a 1, o trauma de uma criança acompanhar a perda de um mundial lhe rendeu um livro lançado em 1994 chamado “A Copa que Ninguém Viu e a que Não Queremos Lembrar”.

A relação de Jô com o esporte vem desde o seu nascimento em 1938 no Rio de Janeiro, o apresentador era sobrinho do treinador Kanela, considerado um dos maiores nomes do basquete nacional. Jô brincava diversas vezes com o fato de que queria ser jogador de hóquei no gelo.

Jô Soares por diversas vezes entrevistou artistas mas também jogadores de futebol, ou personagens de outros esportes que eram tão importantes, em 1983 entrevistou para o fantástico o treinador Paulo César Carpegiani, que havia conquistado a Libertadores e o mundial pelo Flamengo anos atrás.

Mas o Maracanazo influenciou a vida do Jô de tal maneira, que em meados da década de 60, durante a gravação de um episódio da sitcom ‘Família trapo’ da TV Record, conheceu pessoalmente o jogador Pelé.

Em uma das raras fitas salvas da série é possível ver que o Rei do futebol soube lidar com a pressão de atuar em um teatro lotado. Jô e Pelé a partir daí se tornaram amigos e tinham em comum o sofrimento pela final da Copa do Mundo de 1950.

O ‘roubo’ de Galvão Bueno

A relação de Jô Soares com diversos outros nomes da TV Globo era por muitas das vezes próximo, o departamento de esportes da emissora sempre tiveram representantes nos programas do humorista. Era uma das estratégias que Jô havia criado para sempre manter o interesse público no seu talk show.

Na entrevista ao ‘Bola da vez’ da ESPN, o apresentador revelou que o Narrador Galvão Bueno havia lhe feito um roubo de um bordão que era nada mais que um comentário do apresentador sobre o futebol alemão, na ocasião Jô Soares afirmava que “os alemães não jogam futebol”.

“Isso ele roubou de mim, posso dizer no ar. É, eu disse para ele isso. ‘Olha, os alemães jogam uma coisa que é parecida com futebol, aí eles viram que encaixava, que dava para fingir que era futebol e deu certo’. É, mas hoje em dia eles já aprenderam, e como”, afirmou o humorista rindo.

Jô Soares morreu na madrugada desta sexta-feira no hospital Sírio-Libanês em São Paulo, segundo informações o apresentador estava internado desde 28 de julho, a causa da morte não foi divulgada. O anúncio do falecimento foi feito por Flávia Pedra, ex mulher do apresentador, e confirmada pela assessoria de imprensa. O velório e o enterro serão reservados apenas a familiares.

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