Automobilismo

Bortoleto desabafa após fim de semana difícil em Interlagos e recebe apoio de Hulkenberg e Colapinto

Bortoleto bate no muro em Interlagos (Foto: Divulgação F1)

Brasileiro lamenta acidentes, admite erros, cita aprendizado e revela conversa motivadora do companheiro após abandono na primeira volta

(Foto: Divulgação F1)

Gabriel Bortoleto deixou Interlagos com uma mistura de frustração, autocrítica e esperança. Em seu primeiro Grande Prêmio do Brasil na Fórmula 1, o piloto da Sauber viveu um fim de semana turbulento, marcado por dois acidentes, ausência na classificação e abandono ainda na primeira volta da corrida de domingo.

Apesar do cenário adverso, o brasileiro relatou ter recebido apoio fundamental tanto do companheiro Nico Hulkenberg quanto de Franco Colapinto, que saiu em defesa do estreante ao criticar Lance Stroll pelo toque que tirou o paulista da disputa.

A turbulência começou na sprint de sábado. Enquanto se preparava para ultrapassar Alex Albon na entrada da curva 1, Bortoleto perdeu o controle do carro de forma brusca, rodou e atingiu o muro dos boxes com violência. O impacto destruiu parte da Sauber e o deixou fora da sessão de classificação. Mesmo assim, a equipe conseguiu reparar o carro a tempo para o domingo.

Publicidade

A recuperação, porém, durou poucos metros. Largando do fim do pelotão, o brasileiro completou boas manobras no início, incluindo ultrapassagens sobre Lewis Hamilton e o próprio Colapinto na curva 6, e tentava avançar sobre Lance Stroll, que vinha à frente com pneus mais desgastados.

Na saída da curva 9, os dois ficaram lado a lado. Na aproximação da curva 10, Bico de Pato, houve o toque. O pneu traseiro esquerdo de Stroll encostou na Sauber e o carro do brasileiro rodou direto para o muro, quebrando a suspensão e encerrando sua corrida antes da conclusão da primeira volta.

Colapinto, que vinha logo atrás, não hesitou em atribuir responsabilidade ao canadense. “Stroll está sempre eliminando os adversários, sem se olhar no espelho… Ele jogou o Gabi contra o muro. É o que ele faz sempre”, disparou o argentino.

Bortoleto, por outro lado, preferiu contemporizar. Classificou o lance como “incidente de corrida” e destacou que, em outras disputas, Stroll sempre agiu de forma justa. “Ele abriu um pouco mais do que o espaço disponível”, explicou o brasileiro. “Se tivesse deixado um pouco mais de espaço, eu teria feito a curva e talvez o ultrapassasse. Mas não acho que ele tenha feito de propósito.”

Apesar da frustração evidente, Bortoleto enxergou pontos positivos, sobretudo o apoio recebido da torcida e do companheiro de equipe.

Logo após o GP, Hulkenberg, piloto mais experiente do grid com 247 largadas, enviou ao brasileiro uma mensagem que ele descreveu como “emocionante”. Segundo Bortoleto, o alemão reforçou que situações assim acontecem “uma vez a cada 20 anos” e que um estreante passa por muitos altos e baixos até estabilizar na categoria. “Ele está orgulhoso do que eu fiz este ano. Vou continuar firme e os bons momentos virão”, contou.

O piloto de São Paulo reconheceu, contudo, que também cometeu equívocos no fim de semana, especialmente na sprint, cujo acidente comprometeu toda a programação e o deixou fora do qualifying. “Provavelmente não é o melhor momento para tentar algo arriscado”, avaliou. “Serei o primeiro a me criticar duramente. É consequência do que aconteceu no início do fim de semana.

Ele afirmou que parte do aprendizado envolve justamente a “gestão de risco”, ressaltando que foi mais agressivo e tentou novas abordagens em Interlagos, ainda que isso tenha custado caro. “É doloroso porque é a minha corrida em casa, mas é só mais um fim de semana. Tivemos muitos bons e muitos ruins. Só preciso seguir em frente, analisar, aprender com meus erros e partir para a próxima.

Sem um piloto brasileiro em tempo integral na Fórmula 1 desde Felipe Massa, em 2017, Bortoleto reconheceu que a expectativa da torcida elevou o peso do momento. Ainda assim, garantiu ter sentido apoio e acolhimento. “Só tiro o lado positivo de todo o meu país estar aqui me apoiando”, disse o campeão da F2 no ano passado. Agora, após dias de contrastes, ele tenta transformar frustração em combustível para o restante da temporada.

Clique para comentar

Comente esta reportagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

As últimas

Para o Topo