Opinião

Como me tornei amiga da mãe de Kevin De Bruyne

Era quase véspera de natal quando meu celular apitou. Nas notificações uma mensagem de boas festas enviada por Anne Callant. Pode parecer o nome de uma pessoa qualquer, mas não, especialmente para mim. Afinal, ela é mãe de um jogador de quem sou fã: Kevin de Bruyne. Ele mesmo, o craque do Manchester City.

Copa do Mundo de 2014: invasão a hotel e aceno a Vicent Kompany

Para entender como essa história começou é preciso voltar no tempo. Eu sempre fui daquelas fãs que fazem loucuras, seja por banda, cantores ou jogadores de futebol. Com o Kevin de Bruyne não seria diferente. Me lembro quando o vi pela primeira vez: era 2014, ano de Copa do Mundo no Brasil. Eu, como fã de futebol (e futura jornalista), estava ligada nas seleções e jogadores que viriam ao meu país, até que um em específico chamou minha atenção. Na época no Wolfsburg, De Bruyne viria disputar seu primeiro mundial com a camisa da Bélgica. Algumas pesquisas e vídeos de jogos e pronto, a admiração por ele nasceu. O Mundial chegou, tive oportunidade de assistir quatro partidas – uma delas justamente da Bélgica. Estava bastante animada, afinal iria ver aquele jogador que tanta atenção havia me chamado. O jogo, em São Paulo, infelizmente não contou com o brilho de De Bruyne, visto que ele não saiu do banco de reservas.

Como contei no início desse texto, sempre fiz inúmeras loucuras pelas pessoas por quais tenho grande admiração. Um dia antes do jogo, aproveitei a estadia da seleção da Bélgica em Mogi Das Cruzes (cerca de 60 km de onde vivo), para tentar chegar perto de Kevin. Fui com meu pai e alguns amigos até a cidade e bolamos um plano: invadir o hotel. Na teoria era algo maluco, mas tranquilo. Na prática não foi tão assim, visto que o hotel tinha proteção da Polícia Federal. Uma boa história e lábia foram o suficiente para conseguirmos acesso. Entretanto, antes que pudéssemos ter acesso aos jogadores, fomos descobertos e precisamos deixar o local. Não antes de eu e meus colegas vermos alguns jogadores através de um vidro enquanto eles tomavam café da manhã. Trocamos até alguns sinais com Vicent Kompany pelo vidro, nada mais que isso.

Eu na frente do ônibus da Seleção Belga. Uma das poucas fotos que consegui tirar dentro do hotel. Foto: Acervo Pessoal

@debruynebrasil

Em 2015 decidi então criar uma página para o Kevin em uma rede social. A ideia era publicar algumas fotos e informações sobre o jogador que começava a ser reconhecido pelo mundo inteiro. Eu e mais uma colega então criamos a @debruynebrasil. Em uma época que poucas pessoas conheciam o De Bruyne no Brasil, a página foi um sucesso. Logo alcançamos marcas que nunca imaginaríamos e, dentre essas marcas, conseguimos o reconhecimento do próprio Kevin e de sua família.

O fato de sermos do Brasil chamou a atenção, uma vez que maioria dos fãs eram de outros cantos do mundo. Primos, tios e até mesmo a esposa do Kevin passaram a nos seguir e trocar algumas mensagens via DM. Para mim era algo incrível, afinal, nunca imaginei tal proporção tomada. Em determinado momento, minha colega precisou deixar a página e, desde então, assumi sozinha.

Cartão autografado pelo Kevin de Bruyne. Foto: Acervo pessoal

Veio a Copa do Mundo de 2018, nessa época o Kevin já era conhecido pelo mundo todo. Quis o destino que a Seleção Brasileira enfrentasse justamente a Seleção da Bélgica em determinado momento do torneio e fosse eliminada. Para piorar, o algoz da Canarinho foi justamente Kevin de Bruyne. Nesse dia eu nem dormi, recebi xingamentos a mim e toda a minha família, até ameaças cheguei a receber por meio da página. Na época fiquei assustada, hoje guardo como história a se contar.

Ass: Anne Callent

Voltando ao título deste conto real, a mãe do Kevin, Anne Callent, entrou nessa história no início de 2020. Apesar de ter contato direto com a família dele por meio do Instagram, os pais ainda não tinham a rede social. Foi durante a pandemia que uma seguidora me chamou atenção, era ela, a mãe do De Bruyne. No início me assustei, afinal não imaginaria que ela ia chegar até mim sem eu buscar por ela. Logo que me seguiu, enviei uma mensagem agradecendo pelo follow. A resposta veio imediatamente, dizendo que eu fazia uma bom trabalho.

Desde então foram algumas mensagens trocadas, desejos de feliz aniversário, dia das mães, desejos de bons jogos ao filho Kevin e um reconhecimento que eu jamais imaginaria. A última mensagem, foi a de boas festas citada no início do texto.

Sobre o Kevin, ele nunca seguiu a página, isso porque ele prefere não seguir nenhum fã, para não gerar problema com outro. É uma opção dele. Entretanto, o jogador já deu algumas passadas pela De Bruyne Brasil, curtindo fotos ou até mesmo enviando algumas mensagens por meio de sua esposa, Michèle. Kevin também já deu as caras em minha conta no Twitter, quando curtiu um tweet em que o mencionei. Mas isso é assunto para outro texto.

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