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Da Copa ao K-Pop, como a Coreia do Sul quer dominar o planeta

Em meados de 1995, enquanto o Ocidente enriquecia como nunca, a Coreia do Sul começava a sentir os efeitos do drama financeiro que apareceria em 1997, com a Crise dos Tigres Asiáticos. O pequeno país (2,5 vezes menor do que o estado de São Paulo) via no recém-eleito presidente Kim Young-Sam um norte para se recuperar dos escândalos de corrupção que vinham manchando a sua história. A proposta de recuperação da economia era arrojada e consistia em apostar num grande evento que aconteceria em 2002: a Copa do Mundo.

AVASSALADOR NOS PALCOS
Ao mesmo tempo que se preparava para o Mundial, o governo sul-coreano identificou um movimento cultural que mudaria para sempre a história do país: o K-Pop. Vários grupos começavam a mostrar força, sobretudo o Seo Taiji and Boys que já despontava como um sucesso absoluto na Ásia. De acordo com a ‘Billboard’, o grupo, que durou até 1996, vendeu mais de 7 milhões de cópias de seus primeiros quatro álbuns¹.

Vinte anos depois, o K-Pop se tornou tão relevante que integrantes do grupo EXO foram os responsáveis por receber o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em visita diplomática ao país². Em 2019, o grupo BTS se tornou o primeiro desde os Beatles a ter três álbuns como número 1 da ‘Billboard’ no mesmo ano³. O BlackPink quebrou seis recordes no ‘Guiness Book’ com o clipe da música ‘How You Like That’, lançado em junho de 2020 no ‘YouTube’⁴. E acredite se quiser, uma parte do sucesso avassalador do K-Pop no ocidente tem relação direta com a Copa do Mundo de 2002.

ERA TUDO OU NADA NA COPA
Não adiantava sediar a Copa, era preciso ter uma seleção competitiva para expandir ainda mais a cultura sul-coreana. Era obrigatória a classificação para as oitavas de final. Para isso, a federação local (com ajuda da presidência) contratou Guus Hiddink, ex-técnico do Real Madrid e um dos melhores do mundo. O Grupo D tinha a própria Coreia do Sul, os Estados Unidos, a Polônia e Portugal. Duas vitórias e um empate, passando de fase em primeiro lugar.

A trajetória no mata-mata de 2002 foi bastante polêmica. As vitórias históricas contra Itália e Espanha até hoje suscitam dúvidas por causa dos inúmeros erros de arbitragem. Teria o governo sul-coreano feito uma forcinha nos jogos para que o mundo continuasse de olho em seu país? Tirando toda teoria da conspiração, surgiu naquele mundial um nome que ajudaria e muito na propagação da cultura asiática pelo mundo: Park Ji-Sung.

Após a Copa do Mundo, Guus Hiddink assumiu o PSV, da Holanda, e levou Park com ele. Três anos mais tarde, o meia-atacante foi parar no Manchester United, onde ficou por sete temporadas. Foram 205 jogos, 27 gols marcados e nada mais, nada menos, do que 13 títulos. A passagem dele pelo clube foi tão marcante que os Red Devils se tornaram o clube mais influente na Ásia após a passagem dele pela Inglaterra.

RECADO PRO BRASIL E PRO MUNDO
Seja pelo futebol ou pelo K-Pop (que hoje é um dos maiores movimentos culturais de todo o planeta), a Coreia do Sul saiu de um micro-país na Ásia que vivia em guerra com a coirmã rival Coreia do Norte para uma das maiores potências mundiais. Na lista de países mais ricos do mundo, aparece em 11º lugar ao passo de que na lista de maiores IDH aparece em 22º, além de ter sido um dos países modelo no combate ao novo coronavírus em 2020. O governo sul-coreano deixa uma lição para o mundo: investir em esporte e cultura dá retorno financeiro. Quem entender isso mais rápido sai ganhando!

LINKS ÚTEIS

  1. https://www.billboard.com/articles/columns/k-town/7950056/k-pop-legend-south-korea-seo-taiji-25th-anniversary-concert-bts
  2. https://super.abril.com.br/especiais/a-diplomacia-do-k-pop/
  3. https://f5.folha.uol.com.br/musica/2019/04/bts-e-a-primeira-banda-desde-beatles-a-ter-tres-albuns-no-1-na-billboard-em-menos-de-um-ano.shtml
  4. https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/30/blackpink-consegue-cinco-recordes-no-guiness-com-how-you-like-that.htm

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