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Em carta aberta, Zidane fala sobre sua saída do Real Madrid: “Deixei o clube por não sentir mais um respaldo ao meu trabalho”

Divulgação / Real Madrid

Neste domingo (30), Zinedine Zidane falou pela primeira vez sobre sua saída do Real Madrid, após o fim da temporada 2020/2021. Através do portal AS da Espanha, o treinador francês publicou uma carta aberta aos torcedores do Real Madrid. Confira:

Caros madridistas,

Há vinte anos, desde o dia 01 em que cheguei na cidade de Madri e vesti a camisa branca, recebi muito amor. Sempre existiu uma conexão especial entre nós. Tive a grande honra de ser jogador e treinador do clube mais importante do mundo e sobretudo, ser mais um madridista. Por toda essa história, queria escrever esta carta para me despedir de vocês e explicar minha decisão de deixar o clube.

Quando concordei em voltar a ser técnico do Madrid em Março de 2019, após uma pausa de cerca de oito meses, foi porque o presidente Florentino Pérez me convocou, mas também porque vocês me diziam isso todos os dias. Quando encontrava um de vocês na rua, sentia o apoio e a vontade de me ver novamente com a equipe.

Porque compartilho dos valores do madridismo, este clube que pertence aos seus sócios, aos seus torcedores, ao mundo. Tentei transmitir esses valores, busquei ser um exemplo. Passar vinte anos em Madri foi a coisa mais bonita que já me aconteceu e sei que devo isso exclusivamente a Florentino Pérez, que apostou em mim em 2001. Que lutou por mim, para me trazer pra cá quando existiam muitos contras. Sempre serei grato ao presidente por isso. Digo do fundo do meu coração.

Agora quero explicar os motivos pelos quais decidi ir embora. Vou sair, mas não vou pular do barco, não estou cansado de treinar. Em 2018, saí porque depois de dois anos e meio com tantas conquistas, senti que a equipe precisava de um novo encaminhamento, um novo discurso para se manter no topo. Hoje as coisas mudaram.

Estou saindo porque não tenho mais a confiança necessária, o clube não me deu suporte para construir algo positivo a médio/longo prazo. Conheço o jogo e sei das exigências de um clube como o Madrid. Quando não se ganha, é hora de mudar. Mas esqueceram algo muito importante, o que trabalho no dia a dia, o que tenho contribuído no relacionamento com os jogadores, com todas as pessoas que trabalham para a equipe.

Sou um vencedor e estive aqui para conquistar troféus, mas acima de tudo estão os seres humanos, os sentimentos, a vida e tenho a sensação de que essas coisas não foram valorizadas. Não houve compreensão que assim também se mantém a dinâmica de um ótimo clube. De certa forma, acabei sendo censurado.

É preciso respeitar o que fizemos juntos. Gostaria que nos últimos meses minha relação com o clube, e com o presidente em específico, tivesse sido um pouco diferente. Não pedi por privilégios, mas queria um pouco mais de memória. O trabalho de um treinador no banco de um grande clube, nos dias atuais, é de duas temporadas. E deu. Para ir além, as relações humanas são essenciais, estão acima de dinheiro, fama e todo resto. É crucial cuidar delas.

Por isso me machucou, quando li na imprensa, após uma derrota, que eu seria demitido caso não vencesse o próximo jogo. Eu e toda a equipe sentimos, porque essas mensagens vazadas intencionalmente para a mídia criaram experiencias negativas na equipe. Criaram muitas duvidas. Ainda bem que tive alguns meninos maravilhosos que ‘morreram’ comigo. Quando tudo ficou ruim, me resgataram com grandes vitóriasn acreditaram em mim. Eu também acreditava neles. Claro que não sou o melhor treinador do mundo, mas sou capaz de dar a força e a confiança que todos precisam no seu trabalho. Em todos os aspectos.

Ao longo destes vinte anos no clube, aprendi que vocês (torcedores) querem ganhar, obviamente, entretanto, acima disso exigem que deixemos tudo. Seja treinador, estafe, funcionários ou os jogadores. E posso garantir que demos 100%.

Aos madridistas, serei sempre um de vocês. ¡Hala Madrid!

Zinedine Zidane

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