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Em coletiva, dirigentes do Corinthians detalham situação de trio e confirmam redução na folha salarial

Corinthians Timão coletiva Roberto de Andrade Alessandro
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Depois de várias semanas sem entrevistas coletivas no Corinthians, Roberto de Andrade, diretor de futebol do clube, e Alessandro Nunes, gerente de futebol, falaram com a imprensa nesta sexta-feira (9). Entre outros assuntos, os dirigentes abordaram a situação do trio Cazares, Otero e Jemerson, todos com contrato até o dia 30 de junho.

“Sobre Jemerson, Otero e Cazares, não estamos tratando neste momento de nenhuma renovação. Atletas que temos total respeito pelo futebol, caráter e profissionalismo. O contrato é curto, mas ainda vigente. Parte comercial e renovação não tratamos neste momento. Estamos buscando diminuir custos no futebol. O momento é duro, difícil e precisamos ter bastante serenidade e segurança para fazer qualquer renovação”, explicou Alessandro.

A cautela para renovar os contratos de jogadores faz parte do processo de redução das dívidas do clube, que beiram R$ 1 bilhão, segundo o balanço financeiro de 2020. Roberto de Andrade afirmou que o Timão já diminuiu cerca R$ 2 milhões na folha salarial, confirmando o que Wesley Melo, diretor financeiro alvinegro, já havia dito em live com a Gaviões da Fiel.

“Nestes primeiros três meses, a gente teve uma redução de 25% no total das despesas, tiramos perto de R$ 2 milhões por mês da folha. Tudo isso você acumula gordura para em algum momento voltar com algum valor na folha de um jogador que traga qualidade. Mas não queremos mais trazer o ‘vamos ver se vai dar certo’. O talvez dê certo a gente vai evitar. Ou traz alguém que tenha certeza que dará qualidade no elenco. Para ver se vai dar certo, estamos com os meninos para formar um time forte para brigar pelos títulos”, declarou o diretor.

Alessandro ainda avaliou o desempenho do Corinthians nas últimas partidas. O gerente de futebol admitiu que a diretoria, a comissão técnica e os atletas estão “descontentes” com o rendimento apresentado em campo, mas ressaltou a confiança em Vagner Mancini.

“Ficamos descontentes com o que fizemos em campo, não produzimos um futebol eficiente como queríamos que fosse. Não é só da área técnica, é a entrega dos jogadores ao que o corpo técnico pede. Presenciamos duas boas semanas de trabalho, o trabalho é bem conduzido, a confiança é com todos. Entendemos que deixamos a desejar nos últimos jogos e todo mundo fica descontente: nós, a comissão e os atletas”, disse.

Confira outras respostas dadas na coletiva desta sexta-feira:

Acordo com a empresa de consultoria Falconi

Roberto: “A empresa foi contratada para fazer uma consultoria administrativa e financeira. Isso se refere aos processo internos, melhorias. Toda a parte de negociação do futebol, contratos feitos, quem determina é a comissão técnica do profissional ou sub-23 por decisões técnicas. Não tem interferência nenhuma da Falconi”

Jô, Otero e Varanda quebrando o protocolo sanitário contra a covid-19

Roberto: “Nestes casos, todos foram chamados para uma conversa com a diretoria, a gente chamou a atenção de todos, cada caso é um caso. O do Varanda ele foi visitar a filha e tirou a máscara para fazer uma foto, está errado, chamou a atenção. Os meninos a gente tem preocupação maior pela inexperiência. Não tem outra coisa a fazer a não ser chamar a atenção. No dia a dia a gente faz alertas com todos, sempre lembrando da responsabilidade quando sai do CT, fazemos testes quase diários pelo novo protocolo e estamos atentos a tudo isso”

Alessandro: “Nossa iniciativa é de falar e se tiver de expor de forma coletiva também faremos. Não tornamos público por não entender necessário. Faremos as cobranças e prontos. O torcedor tenha a clareza que as coisas são conduzidas”

Alessandro: “O Corinthians hoje segue rigorosamente os protocolos. Temos o pós-Corinthians que é o atleta em suas casas, em outros ambientes, pedimos que os atletas se preservem para preservar no dia a dia de trabalho. Conversamos de maneira pontual com eles, de maneira coletiva também. Os atletas sabem. A gente vê alguns atos acontecendo, mas em nome do Corinthians a gente cuida para evitar que essas coisas aconteçam. É importante que todos se envolvam nisso, a participação efetiva vai fazer com que esse momento passe o mais rápido possível”

Dirigir o Corinthians em crise financeira

Roberto: “Ser diretor do Corinthians é sempre prazeroso, independente do momento financeiro. É um desafio, nos faz ter maturidade, procurar novos caminhos. O mercado estamos sempre monitorando, com dinheiro para comprar ou sem, sempre olhando a disponibilidade, quem poderia nos ajudar. O que fizemos de planejamento para 2021 seria não gastar. Vamos tentar neste primeiro semestre incorporar 20 atletas da base, com idades de 17, 18, 20 e 21. Podemos achar um time neste universo que a gente pode se dar bem e fazer bom campeonato. Não nos impede de dali na frente trazer alguém para agregar qualidade. É um momento diferente, em algum momento tinha de acontecer, brecar algum gasto que nos deixaria em situação um pouco pior. Qualquer contratação você traz valor para a folha”

Pendências financeiras com atletas

Roberto: “Todos os jogadores que têm valores a receber no Corinthians, a primeira certeza é que irão receber. Todos sabem, o clube nunca deixou de pagar. Atrasar não é o ideal, mas acontece, podemos parcelar…Temos uma forma de trabalho que damos muita satisfação a quem tem valores em aberto. Acontece quando o salário atrasa. Tivemos três ou quatro meses e você não viu reclamação. A satisfação é uma forma de pagamento também. É importante que em se tratando de salário as pessoas acompanhem o trabalho da diretoria, nosso, do presidente. Passamos para eles as movimentações para aumentar receitas. A gente lida bem, eles têm confiança no que a gente fala

Uso da base em comparação com o Santos

Alessandro: “Acho bastante pertinente a sua pergunta, mas não gostaria de comparar com outros clubes que usam mais a base do que o Corinthians. Entendo que o processo deva ser desta forma que estamos fazendo. Diminuímos a folha, emprestamos alguns atletas, automaticamente dando mais espaço aos meninos da base. Temos mais de 50% do elenco hoje com atletas oriundos da base. A gente faz a mesma pergunta: quando vai jogar? Quando vai ter a oportunidade? É a expectativa do torcedor. Aqui esperamos o processo natural deles. Varanda foi titular nos últimos seis jogos, Mancini dará oportunidade a outros. Estamos vivenciando duas semanas de trabalho e esperando a retomada das competições. É um processo seguro, o que o campo mostrar para o treinador ele vai fazer. Mancini entende o momento do Corinthians, absorveu os meninos e tudo está ocorrendo dentro do que a gente espera. O desejo do torcedor é ver quando o atleta vai jogar. Temos feito isso com segurança e num futuro breve as coisas vão ocorrer.”

Volta do Paulistão

Roberto: “Estamos ouvindo a possibilidade de jogar com o Guarani no domingo, estamos ouvindo, não sei se procede. Estamos esperando a FPF oficializar a tabela. Durante a semana ouvimos que seria em Araraquara, que depois seria o São Bento em casa, mas oficialmente nada. A FPF está aguardando o pronunciamento do governador, e assim que ele tomar as medidas sobre futebol a FPF vai soltar a tabela. Estamos prontos para qualquer lugar. O time está treinado. Estamos no aguardo”

Alessandro: “Estamos aguardando um comunicado oficial da FPF para a sequência do campeonato ou não. A nossa preparação foi desde a sequência do último jogo. Até pelo grande tempo sem jogos, trabalhamos aspectos físicos, técnicos e táticos, tudo muito bem conduzido. Acompanhamos isso muito de perto e o trabalho foi bem feito. A possibilidade de jogos muito próximos fatalmente vai acontecer, temos um prazo de competição. Precisaremos nos adequar, temos um grupo de atletas com quase 40 atletas e tem que sempre olhar o lado bom, mesmo na dificuldade. Talvez seja a hora de dar chance a muitos atletas. Uma oportunidade para todos eles terem uma primeira oportunidade ou uma sequência se assim foi determinado”

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Luan

Alessandro: “É um cara muito competente, se fôssemos atrás de um meia-atacante talvez não encontraríamos um com a qualidade que ele tem. Cabe aqui dentro a gente entender como ele pode dar a entrega que estamos esperando. É um atleta competente, atento aos seus horários, não fica fora por lesões, é algo que está num trecho final de atuação. O que poderíamos neste momento de reconstrução? Temos atletas subindo. Num momento mais adequado, Luan ainda pode nos ajudar. O departamento de futebol tem de entender cada profissional em seu dia a dia. Precisamos ser muito mais criativo no dia de hoje. Todo mundo tem responsabilidade e grande para ficarmos apontando o dedo sempre para o mesmo lugar. ‘O problema é o Luan, o problema é o dinheiro’. Os problemas são vários. Todo mundo sabe quem está jogando bem e mal, mas o que nós precisamos fazer é um trabalho qualificado dentro do futebol”

Possibilidade de contratações e novas saídas

Roberto: “O futebol está sempre aberto a receber algum jogador que tenhamos interesse como para sair. Futebol é dinâmico. Neste momento não temos nenhuma negociação em andamento nem chegando e nem saindo. Está adormecido. Mas não impede que saindo ali o celular toque. Se for bom para clube, para o atleta, a negociação está feita. Futebol hoje o jogador está aqui e amanhã pode estar em outro lugar”

Alessandro: “O Corinthians vai estar sempre preparado para boas oportunidades. Hoje o estado atual é esse, a gente procura enxugar nossa folha e assim fizemos, vamos dar continuidade, mas isso não impede que amanhã possamos ter outros atletas, Mancini já falou isso. Tem que ter uma oportunidade de um perfil qualificado para chegar e vestir a camisa, que a parte comercial seja importante, que não fuja da redução salarial. A camisa e o clube são grandes, não podemos fechar portas para saídas ou chegadas, isso é muito natural”

Avaliação do trabalho de Danilo e Alex no sub-23

Alessandro: “Alex e Danilo recentemente completaram três meses de clube, nosso sub-23 está em recesso pela fase emergencial e por não ter competição tão próxima. Sobre transição do sub-20 para sub-23 e para o profissional tem sido feita com competência. A entrega deles tem sido ótima, Danilo tem acompanhado os trabalhos, o mesmo com Alex, hoje foram ao sub-17. Tem entregado bem e facilitado muito”

Início dos jovens no Corinthians

Alessandro: “A resposta de todos os atletas tem sido muito boa, uns mais outros menos, às vezes um entende mais rápido, mas todos os atletas estão aproveitando muito bem esse período de trabalho forte e intenso. A resposta tem sido muito positiva”

Dá para brigar por títulos?

Alessandro: “Isso precisamos construir no dia a dia, não posso chegar e dizer que seremos campeões. De uma maneira geral, precisamos construir isso com racionalidade financeira, equilíbrio e oportunidades. Estamos num momento de reconstruir diversas áreas do futebol e estamos fazendo isso para ter confiança para dar o próximo passo. Queremos títulos, mas precisamos construir isso”

Credibilidade no mercado

Roberto: “Temos bastante credibilidade no mercado, o Corinthians tem credibilidade para comprar atleta em qualquer lugar do mundo. Resgatamos isso há muito tempo. O fato de ter momento financeiro delicado não significa que não temos credibilidade. Na realidade, não é culpa, ninguém tem culpa, eu fui presidente, Duílio chegou agora, a gente sempre vai atrás do melhor. Mas circunstâncias te levam, difícil avaliar como estávamos em 2015, 2014…

“Cada momento te obriga a fazer as coisas e errar faz parte. Não chamo de culpa. Essa mesma gestão tirou do Corinthians de R$ 60 milhões de receita para R$ 500 milhões. Tem culpa na dívida e na coisa boa, na Arena, neste CT que estou agora, a mesma gestão fez, isso custou e está inserido nesta dívida. Tem culpa de algumas coisas que não é do nosso agrado como a dívida, mas temos culpa em ter CT de primeiro mundo, da Arena que vamos pagar”

Trabalho para reduzir as dívidas

Roberto: “O trabalho que está sendo feito, a dedicação dada ao problema financeiro do Corinthians é grande, com as empresas de consultoria. Isso trouxe pessoas do mercado de publicidade top de linha para termos o melhor. Tem duas frentes: uma redução de despesas, refazendo seus processos, e no final teremos uma economia no clube. No futebol é reduzir o elenco, reduzimos a folha em quase R$ 2 milhões mensais, tentar trazer jogadores por grande necessidade com valores dentro do patamar do clube, e no marketing trazer novas receitas. As que tínhamos não estão nos servindo. É baixar para sobrar mais e trazer mais receita. O prazo não conseguimos calcular se dois ou três anos. Mas tem que dar a largada na redução de despesas. Com 20 meninos, podemos de repente vender um jogador que queria sair. A expectativa é boa, mas não é muito curto prazo, não é amanhã que vai acabar. Esperamos que no mais breve possível a gente tenha uma situação mais confortável”

Prioridade entre as competições

Alessandro: “Nossa prioridade hoje não é determinar qual competição. Nossa prioridade é o próximo jogo, a construção da equipe ideal. Isso acontecendo, vamos ter confiança para projetar uma competição. Todas são importantes: Paulista, Copa do Brasil, Sul-Americana e Brasileiro. Vamos construir um bom futebol para depois almejar títulos”

Empréstimos que o clube pegou com empresários de futebol

Roberto: “Não necessariamente empréstimos. Entende-se como empréstimo. Vou falar especificamente no caso do Mateus Vital. Esse valor do Carlos Leite foi na aquisição do Mateus Vital, não tínhamos recurso, acabou dele fazendo negócio com o Vasco, e única forma da gente pagar um terceiro fora do futebol é com contrato de multa. Estamos em 2021, mas aquilo foi em 2015, era fatalmente os juros normais de mercado da época”

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