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Racismo, inspirações e trajetória na FlaTV: Emerson Santos abre o jogo ao ENM

Emerson Santos à voz das transmissões rubro-negras | Foto; Reprodução (acervo pessoal)
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Por Gabriel Fareli e Heitor Olímpio

Qualquer torcedor do Flamengo que já tenha visto algum jogo na FlaTV, com certeza, já ouviu essa frase quando saiu algum gol rubro-negro. “É pra comemorar!” – é um dos bordões do narrador Emerson Santos, o “Emershow”, carioca de 23 anos. que vem se destacando e ganhando notoriedade com talento, bom humor e ótimas narrações.

Emerson tem se destacado com a alta qualidade de suas narrações além do conhecimento técnico para transmitir ao telespectador a melhor experiência possível. Em entrevista exclusiva ao Esporte News Mundo, Emershow, como é conhecido também, falou um pouco sobre racismo, Dia dos Pais, amizade com a repórter Luana Trindade, a sua trajetória até chegar a FlaTV, as suas inspirações de narrador, entre outras coisas. Confira o bate-papo.

“Pelo menos um café da manhã com meu pai que é um paizão!”.

Transmissão no Dia dos Pais

“A minha relação com a Luana é sensacional. Foi amor à primeira vista”.

A amizade entre Emerson e Luana Trindade (repórter da FlaTV)

“Acho que isso é o mais importante, a gente inspirar independente da raça, da cor e da religião”.

Racismo e representatividade

Esporte News Mundo: Fala um pouco sobre os lugares que você passou até chegar na FlaTV:

Emerson Santos: Eu comecei ganhando o concurso “Craque da voz”, da Rádio Globo, em 2015, a partir daí fiz muita coisa em web rádio: Frequência Máxima, Rádio Saara depois disso trabalhei na Rádio Tupi, o que foi um passo muito importante, um passo mais profissional e logo depois fui para a Global produções, uma empresa de narração de futebol.

ENM: Neste domingo, tem Flamengo x Atlético MG, às 16 horas, pela estreia do Campeonato Brasileiro 2020 e também é Dia dos Pais. Como é a sua relação com o seu pai?

Emerson Santos: Em relação ao meu pai que completou 52 anos, neste dia 31 de julho é uma relação maravilhosa. Aprendi a gostar de futebol, também por causa do meu pai que sempre me levava para jogar bola. A gente sempre brincava e jogava. Meu pai e meu ídolo assim como homem, como pai e como referência. Então sem dúvida nenhuma gostar de esportes e do futebol é por conta do meu pai, também. E sim já tinha trabalhado no Dia dos Pais e jornalista é muito isto, né. Quando você escolhe essa profissão feriado, final de semana, datas comemorativas nem sempre você está com a família mas vai dar para aproveitar. Pelo menos um café da manhã com meu pai que é um paizão! E desejo aqui de antemão, também um Feliz Dia dos Pais para todos os pais de todo o Brasil.

Emerson e seu pai Fábio Ozório | Foto: Reprodução Twitter do Emerson

ENM: Como você fez para chegar na FlaTV?

Emerson Santos: Eu fui convidado para a FlaTV pelos trabalhos que eu já tinha feito na rádio Tupi e em outros lugares também. Para mim, foi super legal topar isso, porque a FlaTV é um canhão de audiência, muitas pessoas acompanham então foi amor à primeira vista, e eu topei de primeira.

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ENM: Qual foi o sentimento de entrar para a FlaTV?

Emerson Santos: No primeiro momento, a gente não tem muita noção, mas aí a galera passa a te acompanhar, começa a querer saber mais de você.  É um sentimento indescritível por se tratar de Flamengo, clube com a maior torcida do Brasil e a torcida também cobra o narrador da FlaTV como cobra o jogador, se a gente vai mal, eles também criticam.

ENM: Como é a sua preparação para os jogos?

Emerson Santos: A minha preparação para os jogos é normal, a gente sempre estuda o jogo, não só o Flamengo, mas também o adversário para tentar trazer uma transmissão com muita qualidade para o torcedor rubro-negro e para quem também não é rubro-negro e acompanha a transmissão pela FlaTV. Então, a gente sempre chega nos estádios para realmente fazer uma transmissão super especial.

ENM: Como é narrar em um estádio vazio?

Emerson Santos: Narrar o jogo com portões fechados é sempre complicado e muito difícil ainda mais se tratando de Flamengo. Time de massa. Time de uma torcida gigantesca então não é normal transmitir um jogo do Flamengo sem torcida. É realmente algo bem chato, mas sabemos que o momento é o ideal a se fazer. E cabe a gente respeitar.

ENM:Como foi o dia da primeira transmissão com imagens na FlaTV?

Emerson Santos: Foi super especial, primeiro pelo apelo desse jogo e depois pela audiência que foi gigantesca, pra gente foi muito legal ter tanta gente nos acompanhando, gostando do nosso trabalho e isso é importante demais.

A amizade que virou Tiktok | Foto: Acervo Pessoal do Emerson

ENM: Me fala um pouco dessa sua relação com a equipe da FlaTV e em específico com a repórter Luana Trindade.

Emerson Santos: A minha relação com a Luana é sensacional. Foi amor à primeira vista. Uma dupla que pegou muito, principalmente pela brincadeira do “Emerson!” Ai a galera brinca: “ô Emerson, responde a Luana!”. A história dessa brincadeira é que em uma transmissão, acho que umas duas ou três vezes ela me chamou e eu não consegui ouvir a voz dela. Ai a galera transformou em meme, né! O “Ô Emerson! Ô Emerson!” (risos!). E aí eu: “F a l a, L u a n a…”então, realmente foi muito engraçado e a galera gostou de um simples: “fala, Luana” e “ô Emerson!” e acabou viralizando. E em todas as postagens que a gente faz um sucesso, a galera comenta. Então realmente é muito divertido. É uma relação de amizade muito grande e um carinho, também, gigantesco que eu tenho por ela como profissional com uma amiga. Então é incrível demais essa relação.

ENM: Vocês já se conheciam antes ?

Emerson Santos: O engraçado é justamente isso, né, a gente não se conhecia. Se conhecia assim de rede social. Mas é a nossa sintonia foi realmente bem rápido. A gente se adaptou muito rápido. Ela é uma ótima profissional, uma amiga que tem um coração maravilhoso. Eu acho que isso que também acabou unindo a gente cada vez mais.

ENM: Vocês parecem ter muita sintonia, inclusive, fizeram um TikTok com o bordão de vocês e a internet adorou. Como vocês estão encarando essas repercussões?

Emerson Santos: Em relação a esse sucesso toda a galera acha que nós somos um casal e tal, mas é legal, né, acho que funciona até com o marketing. Acho que é legal também ter esse envolvimento da galera. Acho que isso é divertido. Galera fica aquela dúvida será que é um casal, não é. A gente acaba brincando bastante com isso. Achei muito legal.

ENM: Estamos vivendo uma era em que os debates raciais estão cada vez mais ganhando mais forças, inclusive no meio do esporte. Você como narrador, a voz, do principal time do Brasil sente representando os negros?

Emerson Santos: Sem dúvida acho que quando você é identificado primeiro pelo seu talento independente de cor, religião ou raça eu acho que isso é muito legal, mas também é muito importante a representatividade. E está representado em jovens negras ou homem negro. Isso é muito legal porque eu também venho da Baixada Fluminense, Belford Roxo é um dos lugares mais perigosos do Rio de Janeiro e enfim pelo fato de ser negro, a gente acaba quebrando muitas barreiras. Graças à Deus nunca sofri nenhum tipo de preconceito. Principalmente aqui no Flamengo, mas poxa é incrível saber que eu represento esses jovens negros ou que uma criança sonha em ser narrador, porque ela gosta da minha transmissão, gosta da minha voz, das minhas brincadeiras e dos meus bordões isso é super importante. Principalmente para uma comunidade que não é tão bem representada, a gente vê por exemplo na narração na parte do jornalismo esportivo. Quantos repórteres negros têm? Quantos apresentadores? Quantos negros quantos narradores? Então, acho que isso é legal de mais. Representar todos esses negros é claro, né, como sendo negro, mas inspirando também crianças brancas, enfim, não só crianças negras, mas inspirando. Acho que isso é o mais importante, a gente inspirar dependentes da raça, da cor ou da religião. Eu acho que o mais bacana disso tudo é realmente você ajudar as pessoas.

ENM: O que você acha sobre esses protestos raciais que tem acontecido no esporte?

Emerson Santos: Em relação aos protestos raciais super valido. Está na hora da gente acabar com isso. Já estamos em 2020 e acabou o preconceito. Não tem porquê existir. A gente sabe que infelizmente algo que está enraizado na nossa cultura, mas a gente sabe que o nosso país é um país onde tem um negro, tem um branco, tem um japonês que é casado com um holandês, enfim, alemão casado com um brasileiro. Nosso país realmente é onde se junta tudo. Então acho que tem que acabar isso. Enfim racismo, xenofobia. Acho que isso já basta. Principalmente em 2020 onde a gente está com a mente muito aberta é importante ter mais.

Sobre esse assunto racial, o Esporte News Mundo resolveu ouviu também Marcelo Carvalho do Observatório da Discriminação Racial no futebol que faz um trabalho de monitorar e divulgar casos de racismo e ações afirmativas no futebol brasileiro. No fim, Marcelo deixou um recado para o Emerson.

Marcelo Carvalho, do Observatório da Discriminação Racial no futebol | Foto: Reprodução

Aqui Marcelo Carvalho do Observatório da Discriminação Racial no futebol, um projeto que tem como objetivo monitorar os casos de racismo no futebol brasileiro e também valorizar ações afirmativas que busquem através do futebol combater o racismo e outras formas de preconceito, mas falar de racismo no futebol. A gente deve lembrar que os casos os incidentes eles são apenas a ponta do iceberg. O racismo no futebol é muito mais estrutural. Afinal de contas nós temos a pouca presença de negros nos cargos de comando. Nós temos poucos negros ocupando o cargo de treinadores presidentes e dirigentes dos principais clubes no Brasil e se saíram dos clubes olharmos pelos veículos de comunicação.

Então vamos perceber a não presença dos negros nesses espaços. Por isso é tão importante valorizá-los. Quando a gente tem pessoas negras ocupando esse espaço, porque elas vão servir de inspiração para que outras pessoas ocupem esses espaços. Então estou falando um pouco também do Emerson Santos narrador negro da FlaTV. Importante demais é não ocupar esse espaço. Importante demais ele está nesse espaço da Fla TV. O Flamengo afinal de contas é um dos maiores clubes do Brasil e do mundo. E tendo um negro nesse espaço é exemplo e inspiração para que diversas crianças um dia busquem também ocupar esse espaço. Queremos saudar o Emerson. Queremos mandar um abraço e vida longa ao Emerson. Que ele nos represente e que ele lembre que ele é uma inspiração para tantas outras pessoas negras. Abraço!

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