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Contratado por DVD, zagueiro brasileiro fere a regra e faz sucesso na Arábia Saudita

Divulgação/Najran SC

A alcunha de jogador “contratado por DVD” não costuma ser encarada como elogio. O caso do zagueiro brasileiro Carlos Henrique, porém, foge à regra. Em meados de 2019, o defensor não vivia um bom momento no futebol paulista. Até que uma seleção em vídeo de seus melhores momentos o levou à Arábia Saudita.

— Eu estava no São Caetano, mas não vinha jogando e estava com uma rescisão de contrato. Aí recebi uma ligação falando que o treinador do time, que é brasileiro, precisava de um zagueiro e ele pediu informações para o auxiliar do Léo Condé, que trabalhou comigo em 2018. Prontamente, ele mandou o DVD, o treinador gostou e me fez a proposta.

A história de Carlos Henrique, no entanto, começou em Ribeirão Preto – onde também está seu coração. Revelado pelo Botafogo-SP, o jogador falou sobre sua relação com o clube e com a cidade.

— Cheguei no Botafogo em 2012 para disputar a Copa São Paulo, mas saímos na primeira fase. Fizemos uma boa campanha até porque tivemos o clássico ainda contra o Comercial, que ganhamos e empatamos com o Paysandu. Em 2013 subi para o profissional e foi aí que começou. No Campeonato Paulista eu não pude jogar, mas integrei o grupo e em 2014 eu joguei a Copa Paulista, que fui vice-campeão.

Em 2015 jogamos a Série D do Brasileiro, conseguimos o acesso e fomos campeões e em 2018 eu joguei todos os jogos e conseguimos o acesso para a Série B. Foi o meu melhor ano pelo Botafogo, tenho uma identificação muito grande com o clube. Sempre que posso, eu assisto, mesmo sendo muito tarde, já que a diferença de fuso-horário é de seis horas.

Minha casa é em Ribeirão Preto, minha esposa, meus amigos são de lá. Foi onde eu criei amigos que tenho até hoje, então o Botafogo faz parte da minha história e da minha vida.

Do interior de São Paulo, Carlos Henrique partiu para uma aventura ao desconhecido, com poucos detalhes sobre lugar e time que o aguardavam. As incertezas, no entanto, logo deram lugar ao sucesso.

— Eu não sabia como era, mas ele disse que poderia vir para cá, que estaríamos juntos, que abriria o mercado. E eu fui, sem saber do clube, da cidade. Eu cheguei em julho de 2019 e estou até hoje. Fiz 39 jogos pelo clube na temporada passada, com seis gols e já estou na minha segunda temporada aqui.

Tenho um carinho enorme pela cidade, os brasileiros gostam muito. Estou muito satisfeito aqui no mundo árabe e pretendo continuar aqui — completou o zagueiro

Confira a entrevista completa com Carlos Henrique:

Carlos Henrique ressaltou que a adaptação ao novo país e aos novos costumes não foram fácil a princípio. Com o passar do tempo, porém, o jogador se adaptou e hoje pensa em passar os próximos anos da carreira na Arábia Saudita.

— A língua é muito difícil, poucos atletas do meu time falam inglês e eu não falo praticamente nada de inglês. A minha sorte é que a comissão técnica é brasileira, então isso me ajudava e o clube aqui gosta muito de trazer jogadores brasileiros. O time também disponibiliza um tradutor, que está sempre com a gente nos treinos, então fica mais fácil a comunicação com os atletas, com a diretoria.

“CHOQUE DE CULTURA”

– A cultura aqui é muito diferente. Eles fazem o jantar no chão, comem com a mão e foi muito difícil para mim. Às vezes eu viajava para o jogo e via a comida no chão, não estava acostumado, mas os árabes entendem como é no Brasil e disponibilizaram mesa.

A primeira impressão é um baque porque a cultura é muito diferente. No Brasil, o roupeiro leva sua chuteira, cuida das suas coisas, mas aqui é diferente. Precisamos cuidar das nossas próprias coisas, levar uma mala com tudo.

Tem gente que chega aqui e acha que tudo é mil maravilhas, mas não é. É uma cultura totalmente diferente, mas depois que nos acostumamos e entendemos a cultura deles, é gratificante estar aqui. Eles gostam dos brasileiros, os acolhem muito bem. Eu pretendo ficar aqui, aprender um pouco mais do árabe, mas é muito difícil – finalizou Carlos.

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