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Atacante do São Paulo supera lesões para brilhar na Copinha

O atacante Gabriel Maioli é um dos principais destaques do São Paulo na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Com três gols em quatro jogos, incluindo dois contra o Vasco, nas oitavas de final, o jovem, que tem apenas 18 anos, é uma das armas de Alex na busca pelo título da competição.

O que nem todos sabem, é que Gabriel Maioli tem uma história de artilharia e de superação pelo tricolor. Ele ficou praticamente dois anos fora dos gramados por conta de duas lesões no joelho, a primeira entre o sub-14 e o sub-15 lhe custou quase nove meses em tratamento e depois, entre o sub-16 e sub-17 foram 16 meses sem entrar em campo.

Após decidir a vaga nas quartas de final da Copa São Paulo, ao marcar dois gols ainda no primeiro tempo do jogo contra o Vasco, Maioli falou sobre a emoção de voltar a atuar em alto nível após superar lesões tão graves:

– É um sentimento inexplicável. Pra quem não sabe eu tive duas lesões muito graves, de joelho, de ligamento. Fiquei um bom tempo parado, um bom tempo fora, muitas pessoas me ajudaram, minha família. Queria agora agradecer o departamento médico, todos os fisioterapeutas que tiveram comigo nesses dois anos que eu fiquei parado. Pra mim é muito emocionante tudo o que eu passei e hoje estar aqui fazendo dois gols nesse jogo importante.

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O jovem chegou ao clube no mesmo período que o atacante Marquinhos, atualmente no profissional do São Paulo e que ajudou o time a eliminar o Racing-ARG, na Libertadores de 2021. Por conta disso, os dois formaram uma dupla extremamente artilheira em Cotia e até mesmo antes de chegarem oficialmente no São Paulo, enquanto eram monitorados atuando por outras equipes, como o Embuense.

Os dois disputaram a Taça Cidade de São Paulo sub-10 pelo time de Embu das Artes e não deram chances para o Botafogo de Guaianases. Marquinhos anotou três gols, enquanto Maioli fez um gol e deu duas assistências na partida. Treinador dos dois atletas na conquista, Jadir Otoni contou um pouco de como foi ter dois atletas de alto potencial sob seu comando.

São dois garotos diferenciados, o Marquinhos estava no Pequeninos do Jockey e chegou aqui com nove anos, mas o Gabriel estava conosco desde os cinco anos de idade e já impressionava como batia fácil na bola com as duas pernas. Os dois são 2003 e sempre jogaram com os mais velhos, nascidos em 2000 e 2001, então nas competições da faixa etária deles, eles desequilibravam.

A disputa da Taça Cidade de São Paulo sub-10 não foi a primeira vez que os dois meninos do treinador Jadir fizeram toda a diferença para o time. Em um campeonato estadual, em 2014, os dois precisaram levar uma bronca para acordar e conquistar o título.

Maioli com o trofeu do torneio estadual pelo Embuense

Em uma viagem que fizemos pelo campeonato estadual, em Patrocínio Paulista, nós ganhamos o primeiro jogo por um placar elástico, 8 a 0, mas perdemos o segundo e se não ganhássemos do Marília, favorito ao título, ficaríamos fora. Na ocasião, falei pra eles que não iriam mais ficar soltando pipa e mexendo no celular. O Maioli é mais tranquilo e o Marquinhos mais gozador, então o Maioli ficou sem entender nada. Só que no outro dia vencemos o Marília por 3 a 0, com três gols do Maioli. Depois fomos melhorando e ele também acabou fazendo três gols na final contra o Atibaia e ainda foi eleito o melhor jogador do campeonato.

Depois dessa competição, os dois tomaram rumos diferentes, Marquinhos foi para o Clube Atlético Taboão da Serra, comumente conhecido como CATS, onde reencontrou Jadir no segundo turno do Paulistão sub-11 e Maioli para o Osasco, onde jogou com João Palmberg, seu companheiro de São Paulo atualmente. Por times diferentes, já que o São Paulo não trabalhava com a categoria na época, Marquinhos anotou 12 gols no campeonato e Maioli nove.

Acompanhando seus pupilos até hoje, Jadir acredita que a família, a fé e a dedicação de Maioli ajudaram o jogador a superar as graves lesões no joelho para jogar bem no sub-20 do São Paulo.

O Maioli sofreu com lesões no joelho, mas graças ao bom Deus está retornando bem e fazendo o que mais gosta. Eu fui visitá-lo durante esse período, que não foi fácil, mas ele é um garoto muito especial. Sempre teve muito apoio da família, fé, é comprometido e muito determinado dentro e fora de campo – comentou o treinador.

Leandro Alves (goleiro – que não é o Leandro Mathias, do time sub-20), Marquinhos, Maioli e Gabriel Rodrigues

O primeiro torneio oficial da dupla pelo São Paulo foi o Base Brasil, em 2015, que teve título do tricolor, artilharia para Marquinhos e vice-artilharia para Maioli. O detalhe é que a competição era para jogadores mais velhos e tinha outros nomes que ficaram conhecidos na base tricolor, como os meias Pedrinho e Talles Costa e o lateral-esquerdo Gabriel Rodrigues, todos nascidos em 2002 e que seguem no clube. No mesmo ano, a dupla disputou o Paulista sub-13 pelo tricolor, também jogando contra atletas um ano mais velhos, Maioli foi o artilheiro do time com nove gols e Marquinhos marcou quatro.

Em 2016 a dinâmica continuou: Maioli e Marquinhos somaram 49 dos 106 gols do São Paulo na Peace Cup, enquanto Maioli fez 21, Marquinhos anotou 28 gols em oito jogos. No mesmo ano eles participaram da Gothia Cup e a estrela de Maioli brilhou, ele anotou 17 gols em apenas sete jogos disputados, conquistando a artilharia e o prêmio de melhor jogador do torneio.

Um ano mais novos que a idade limite da categoria, Marquinhos e Maioli receberam chances no Paulista sub-15 de 2017 e contribuíram com cinco gols cada para o tricolor, mas a distância entre os atletas começaria a aparecer justamente no ano seguinte. Foi quando Gabriel Maioli teve a sua primeira lesão de ligamento no joelho esquerdo e ficou cerca de nove meses afastado dos gramados. Naquela temporada, Marquinhos foi o artilheiro do São Paulo no estadual da categoria, com 22 gols, seguido por Talles Wander, com 21, e o tricolor foi campeão em cima do Palmeiras.

Maioli e Marquinhos na base do São Paulo

Maioli se recuperou da lesão e voltou a atuar, mas com dificuldade para assumir a titularidade do time e então veio a dramática segunda lesão, que o tirou dos gramados durante todo o seu ano de sub-17. Maioli novamente rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e precisou passar por outra intervenção cirúrgica. A lesão aconteceu em novembro de 2019, pouco após o primeiro jogo da semifinal do Paulista sub-17, contra o Corinthians, em que o atacante entrou nos minutos finais. Porém, Maioli teve problemas na recuperação e só retornou aos gramados em agosto de 2021, perdendo todo o seu ano bom de sub-17, que seria 2020.

O caso foi muito parecido com o do zagueiro Walce, do profissional. Assim como o companheiro, após a cirurgia, Maioli teve um problema com o enxerto e teve que passar por nova intervenção, dobrando o tempo médio de recuperação, que costuma ser entre oito e nove meses.

Ao todo, somando as duas lesões, Gabriel Maioli ficou praticamente dois anos sem jogar. Além do tempo fora de campo, é preciso considerar que mesmo recuperado de lesão, ele não voltou com o mesmo protagonismo que tinha anteriormente e teve que buscar o espaço e se readaptar ao jogo. Considerando a parte principal da formação, entre o sub-15 e o sub-20, no caso atual, entre 2018 e 2022, Maioli ficou metade do seu tempo entre as categorias mais fortes da base sem poder atuar.

A geração 2003, da qual o jogador faz parte, viveu um de seus melhores anos no sub-17 e viu novos nomes aparecerem, como Caio, da 2004, que assumiu o papel de artilheiro do time na boa temporada, empatado justamente com Marquinhos, como costumava ser para Maioli. O time conquistou a Copa do Brasil sub-17, a Supercopa sub-17 e foi semifinalista do Brasileirão da categoria.

Logo no início do ano seguinte, já pelo sub-20, Marquinhos, a grande dupla de Maioli durante toda a sua passagem na base, começou arrasador. Foram dois gols e duas assistências em três jogos, que levaram o jovem a ser chamado por Crespo para o time principal, onde acabou sendo essencial na disputa contra o Racing-ARG, na Libertadores, com um gol e uma assistência na vitória por 3 a 1 sobre o time argentino. Enquanto Maioli, sem atuar, ainda lutava para reconquistar seu espaço, em especial com a chegada de um novo treinador na categoria.

Em entrevista exclusiva ao Portal Esporte News Mundo, antes da Copinha, Alex falou sobre o trabalho de recuperação do atacante e ressaltou a parte psicológica, para trabalhar a ansiedade de um jogador que quer recuperar o tempo pedido.

– O Maioli traz com ele uma história pesada. Por que eu digo pesada? Ele era esse companheiro do Marquinhos desde molequinho e de repente você vê o Marquinhos estreando no time principal e ele ficando pra trás. Mas por que ele fica pra trás? Teve lesões sérias, lesões que o tiraram do campo por quase um ano e meio. Isso é muito tempo pra qualquer pessoa, você imagine pra um atleta. Acho eu que o Maioli ainda precisa de muito mais tempo. O Maioli traz uma história hoje de uma ansiedade muito grande. Pra você entender o tema das minhas conversas com o Maioli, é que um ano e meio que ele perdeu, ele não vai recuperar em três meses. Tem que tirar um pouquinho dessa ansiedade dele, talvez essa seja a parte mais difícil. A gente tá tentando, vamos seguir tentando na Taça, vamos seguir tentando em 22, porque é um menino que tem valências físicas boas, tecnicamente é bom jogador, pra ver se ele consegue aí recuperar esse tempo que infelizmente a lesão o deixou fora e possa seguir os sonhos dele, possa ser bom jogador de futebol, porque qualidade pra isso ele tem – comentou Alex.

Superadas as lesões, o desafio de Gabriel Maioli agora é dentro de campo e ele enfrenta o Cruzeiro, nesta quarta-feira, 19, às 21h30, no estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul. O jogo coloca frente a frente as duas melhores defesas do campeonato: enquanto o time mineiro sofreu apenas um gol, contra o Desportivo Brasil, o tricolor cedeu três, dois contra o Vasco, na última partida e um contra o São Caetano, ainda na primeira fase.

Quem avançar no duelo entre Cruzeiro e São Paulo, encara o vencedor de Palmeiras e Oeste, que jogam no mesmo dia, às 19h, na Arena Barueri.

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