Opinião

José Carlos Peres descobre que não é fácil comandar o Santos

Foto: Ivan Storti /Santos
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José Carlos Peres demitiu Jesualdo Ferreira sem ter um substituto em mente. Primeiro mandou embora, pressionado pelos conselheiros mais próximos. Só depois pensou no futuro do Santos. E na nova filosofia de trabalho que será adotada.

Pode ser a modernidade de Cuca, a nostalgia de Luiz Felipe Scolari, o defensivismo de Mano Menezes, o conservadorismo de Abel Braga e a instabilidade de Oswaldo de Oliveira. Mas José Carlos Peres o demitiu pensando na sua estabilidade política.

Jesualdo Ferreira nunca foi bem aceito como treinador do Santos. Mas José Carlos Peres bancou a contratação do veterano com o argumento de que não havia um treinador brasileiro capaz de substituir Jorge Sampaoli.

Ele precisava de um técnico que trabalhasse mais com os jogadores da base e reclamasse menos com a falta de reforços. Afinal, o clube contratou apenas o Madson, Luan Peres e Raniel.

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E, nesse ínterim, jogadores importantes começaram a deixar a Vila Belmiro. Vanderlei e Victor Ferraz foram para o Grêmio. Felipe Aguilar se transferiu para o Athletico Paranaense. Victor Bueno se mandou para o São Paulo. E Gustavo Henrique se transferiu para o Flamengo.

A expectativa era que, como em um passe de mágica, Jesualdo Ferreira conseguiria dar sequência ao trabalho de Jorge Sampaoli. Sem dinheiro. E sem reforços a altura do Santos. Algo que José Carlos Peres imaginou. Só que não dei certo.

O presidente parece não saber que a montagem de uma equipe é bem mais complicada, exige tempo e dinheiro. Não é fácil formar um elenco para disputar a Copa Libertadores da América, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista.

O Santos vai iniciar o Brasileirão com um elenco rachado. E sem esperança de quando terão tranquilidade financeira. Afinal, José Carlos Peres segue sem apresentar um plano de contingência para quitar os salários atrasados do elenco.

É um rendimento mais do que satisfatório chegar no mata-mata do Paulistão. A eliminação nas quartas de final não tem nada a vez com a arbitragem de Salim Fende Chavez. O time foi incompetente contra a Ponte Preta. E a diretoria tentou distorcer os fatos.

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De longe, Jesualdo Ferreira operou um milagre. E o feito, em uma situação normal, seria exaltado em qualquer clube. Mas não no Santos. Afinal, a Vila Belmiro está em ebulição constante desde que o dirigente assumiu a presidência.

José Carlos Peres mesmo assim não queria demiti-lo. Mas a pressão foi insuportável. Conselheiros importantes já estavam pedindo a cabeça, em bandeja de prata, do português antes da paralisação do futebol por conta da pandemia do novo coronavírus.

Mas o mandatário vive em uma dimensão paralela. E mandou Jesualdo Ferreira embora, sem imaginar em um substituto. A fama de mau pagador está gera medo e insegurança entre os empresários dos técnicos cotados no Santos.

O departamento de futebol do Santos está acéfalo. E José Carlos Peres cada vez mais isolado. Principalmente após a saída de William Thomas, seu braço direito, que não concordou com a demissão de Jesualdo Ferreira.

Cuca é o favorito para assumir o Santos. Resta saber se a direção dará respaldo para que o técnico faça uma reformulação no elenco solicitando dispensas e indicando reforços. Ainda mais estando sem dinheiro para se movimentar no mercado.

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Mas foi uma decepção no São Paulo. Vaidoso. Brigou com os principais jogadores e perdeu o grupo. Luiz Felipe Scolari foi campeão na terceira passagem pelo Palmeiras. Mas não consegue dar sustentação ofensiva ao time.

Mano Menezes sabe como armar um time na retranca. E só. Suas equipes não conhecem o ataque. Dependem de chutões para frente para conseguir fazer gol. Abel Braga ficou para trás. Está ultrapassado, seus times não sabem o que é intensidade.

Oswaldo de Oliveira não consegue manter estrutura tática básica. Muda de ideia, acreditando que os jogadores possam alternar sua maneira de atuar diante de adversários diferentes. Há anos não emplaca um trabalho convincente no futebol brasileiro. Foi um fiasco no Fluminense.

O Santos, antes de mais nada, não tem dinheiro para ‘sabotar’ os rivais. Dorival Júnior, Renato Portaluppi, Tiago Nunes e Vanderlei Luxembrgo são nomes fora da realidade financeira do clube. A diretoria quer um técnico ‘rodado’. A situação não está fácil. E a pressão é gigante.

Mas uma lição para José Carlos Peres. Afinal, não é fácil comandar o Santos. Ser presidente de um dos clubes mais tradicionais do mundo é uma missão infinitamente mais difícil. A torcida santista espera a sua decisão. A escolha do novo técnico que vai trabalhar para evitar novos fracassos em 2020.

CURTINHAS:

Cuca é o favorito de José Carlos Peres para assumir o Santos (Foto: Ivan Storti /Santos)
Cuca é o favorito de José Carlos Peres para assumir o Santos (Foto: Ivan Storti /Santos)

REFELXÃO: O Santos se tornou uma várzea. E está pegando facilmente seu caminho para série B. Isso não é uma é piada. É a constatação de algo nítido que alguns dirigentes insistem em não ver. José Carlos Peres é o pior presidente da história do clube.

MERCADO AQUECIDO: O Grêmio observa o mercado para ser assertivo na contratação de um substituto para Everton Cebolinha, que se transferiu para o Benfica. De acordo com a imprensa gaúcha, Yeferson Soteldo foi pedido pelo técnico Renato Portaluppi.

SEMPRE CORNETEI: Caso Cuca seja confirmado no Santos, inevitavelmente surgirão notícias de que o técnico pediu a contratação de Tchê Tchê. A coluna já adianta que aceita uma troca por Yeferson Soteldo ou Carlos Sanchez.

NUNCA CORNETEI: Mandar o Jesualdo embora e trazer o Cuca é porque já estão ligando o modo permanência na série A na Vila Belmiro. Cuca vai tentar beliscar alguma coisa nas copas e fazer 45 pontos no Brasileirão. Tenso!

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Esporte News Mundo*

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