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Nenê avalia fase no Fluminense: ‘Se eu não faço gol, dizem que estou rendendo pouco. Acho meio injusto’

Foto: Reprodução/FluTV

Após nove jogos sem marcar, Nenê foi importante na vitória do Fluminense sobre o Internacional no Brasileirão. Destaque da equipe no início da temporada e artilheiro do Tricolor em 2020, com 11 bolas na rede, o meia questionou críticas a sua queda de rendimento desde a volta do futebol em coletiva virtual pela FluTV.

– Se eu não faço gol, dizem que estou rendendo pouco. Acho meio injusto. A gente tem que pensar no time. Essa questão de posicionamento era a maneira que o Odair estava encontrando do time ficar mais equilibrado defensivamente, para não tomarmos tantos contra-ataques. Começou nas finais do Carioca e deu certo. Creio que estou muito bem. É muito cedo para falar em relação a momento. Teve quarentena, parada, Carioca, parou de novo. No geral acho positivo. Eu não estava fazendo gols, mas fisicamente estava bem, ajudando da maneira que a comissão vinha pedindo, nada diferente disso. Se eu não faço gol ou o Fluminense não ganha, vão sempre associar ao meu nome porque eu estava fazendo muitos gols antes da parada. É normal – avaliou.

Com dois gols na partida diante do clube gaúcho, Nenê minimizou o fato de estar a nove partidas sem marcar. Ele frisou que não tem relação a ter que fazer gol.

– Quem não gosta de fazer gol? Mas não tinha essa ansiedade e preocupação a isso. Eu estava tentando ajudar o máximo possível com o que estava sendo proposto pelo Odair e também pude fazer os gols e tirar essa ansiedade da parte de vocês e da torcida, porque da minha parte não tinha. Não digo (que era um) jejum. Nós jogamos três finais do Carioca, dois amistosos e dois jogos do Brasileiro. Para um meia, é uma coisa totalmente normal. Vocês e a torcida às vezes se acostumam mal. Minha obrigação é dar assistência, os gols eram um plus. Não tenho preocupação nenhuma em relação a ter que fazer gol. O importante é ganhar. Se não ganharmos, fico bravo. A gente dá o melhor a cada jogo para ajudar o Fluminense – explicou.

Com quatro pontos em três jogos, o Fluminense ocupa a nona posição no Brasileirão. Na quarta-feira, às 19h15, o Tricolor encara o Red Bull Bragantino fora de casa, no Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista.

TRECHOS DA COLETIVA:

PARÂMETRO?

Estamos evoluindo a cada jogo. Nesse último jogo tivemos uma evolução ainda maior. Era isso que estávamos precisando. Melhoramos nessa parte ofensiva, era isso que estávamos precisando, na hora da última definição. Será um parâmetro bom. Não para manter, mas sempre para tentar melhorar. O Inter é um time que tem um enfrentamento muito forte defensivo. Pudemos frear isso. Estivemos muito compactos e concentrados em todas as fases do jogo.

CONSELHOS PARA OS MAIS JOVENS

Sempre falo que futebol é muito no hoje. Quando a molecada vem conversar, a gente sempre fala “daqui a três dias, já tem jogo”, tudo pode mudar, virar. Então, não é ficar muito se achando quando está sendo elogiado, nem ficar muito chateado se está sendo criticado, porque não é a realidade dos fatos. A gente sabe como é… É passional. Se faz o gol, é o Messi. Se não faz, o cara é horrível. Nenhuma das duas coisas é verdade. Tem que ter esse equilíbrio, estar sempre tranquilo, fazendo o trabalho. Estar com a consciência tranquila, dar o melhor de si a cada dia, em todos os dias nos treinos, nos jogos. Na hora que você tiver recebendo elogios, ficar também com o pé no chão. Bonitinho, tranquilinho… E quando acontecer uma crítica, ver o que pode estar sendo real, poder colocar para te motivar a melhorar e a demonstrar que aquela crítica não é a verdade, a realidade. E se realmente for uma coisa que está realmente te atrapalhando, ver que “preciso mudar tal coisa, melhorar nisso, naquilo, concentrar mais nisso, naquilo”. E continuar fazendo seu trabalho normalmente.

EVOLUÇÃO DO FLU

Tivemos três jogos muito duros. São times que vão poder brigar pelo título. Gol que levamos no primeiro jogo foi falta de sorte, resultado mais justo seria o empate. No segundo jogo o time jogou muito melhor e acredito que poderíamos ter conquistado a vitória. E contra o Inter foram muito importantes os três pontos. A vitória da tranquilidade e confiança. Estamos evoluindo, sabemos que podemos melhorar muitas coisas, mas o time está conseguindo fazer nosso jogo, ter uma intensidade boa ofensiva e defensivamente. A cada jogo vamos melhorando mais ofensivamente, que era o que estava faltando. Neste último jogo já percebemos uma melhora.

BOLA PARADA

O gol que fizemos contra o Palmeiras foi através de uma bola parada. Um dos pênaltis de ontem se originou após uma falta que eu cobrei. Sempre podemos melhorar, mas não temos uma performance baixa nesse quesito. Temos esse poderio de jogadores que cabeceiam bem. Eu procuro colocar uma bola em uma posição difícil para o adversário. A gente vê que bolas paradas acabam fazendo a diferença em jogos, principalmente nos mais equilibrados.

OBJETIVO DO FLUMINENSE NO BRASILEIRÃO

Eu acho nosso grupo muito qualificado. A gente sabe que vão ter muitos jogos neste ano, vai ser diferente, a gente vai jogar no Natal, Ano novo, vai começar outro ano… Então, realmente, a gente não pode pensar lá na frente, a gente tem que pensar jogo a jogo. Saber que cada jogo é uma final, como se fosse uma final de campeonato. Mas eu realmente acredito que o time possa estar entre os cinco, seis primeiros colocados. Se nós mantivermos a concentração, foco, intensidade, a gente sabe… Até porque os jogos estão muito mais equilibrados. Não tem jogo fora ou em casa praticamente. Não ter torcida, então, acho que a mentalidade vai ser uma coisa muito importante nesse ano, nesse campeonato. Jogar sem torcida já é uma coisa ruim, e o time que conseguir manter esse nível de foco, concentração… Detalhe, né?! Do primeiro ao último minuto, eu acho que pode fazer realmente fazer a diferença. Nós demonstramos isso contra três times que vão brigar lá em cima, já nas finais do Carioca também, mostramos que se o coletivo estiver todo junto, a união que esse time tem, é como se fosse uma família. Aqui não tem qualquer tipo de problema no grupo. Pelo contrário. A gente tem um ambiente maravilhoso. É uma coisa que também ajuda a gente surpreender, porque ninguém espera que a gente vai estar entre os seis, oito primeiros colocados. E acredito que a gente possa surpreender muita gente se a gente conseguir manter esse nível de concentração e união.

COVID-19

Eu aprendi muito. Pude ficar bastante tempo perto da minha família. Agora já não estou mais, estou só eu e minha esposa aqui no Rio. Aprendi muitas coisas fora da minha profissão. Aprende a dar um pouco mais de valor as coisas. Nossa vida é muito rápida, a gente é muto acelerado, não fica muito com a família, acostuma a não ter esse contato. Isso foi uma coisa muito boa. A gente tem que se adequar realmente à situação. Não é fácil, mas que nós temos que pensar no ser humano, no próximo. Se eu ficar doente e continuar fazendo as coisas normalmente, passa para uma pessoa, que passa para outra e para outra… Acaba virando uma coisa gigantesca. E muitas vezes as pessoas não pensavam muito assim. Acho que foi uma coisa que fez não só eu, mas todo mundo mudar um pouco. Será que isso aqui prejudicar meu próximo? Vai prejudicar minha família? Meu filho, meus pais, meus amigos? Eu vou poder continuar indo trabalhar? Fez a gente pensar um pouco mais nesse lado humano e que tudo pode mudar na sua profissão, no seu dia a dia. A gente tem que estar com a cabeça muito boa e preparada para essas mudanças. Tentar se adaptar da melhor forma possível.

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