Automobilismo

No dia que completaria 61 anos, relembre 12 momentos marcantes de Ayrton Senna na Fórmula 1

Créditos: Rainer Schlegelmilch via Imago Images

Neste domingo (21), Ayrton Senna da Silva, tricampeão mundial de Fórmula 1 com a McLaren, completaria 61 anos se estivesse entre nós. Porém com seus feitos na pista e sua personalidade fora delas, Senna virou uma lenda do automobilismo, e uma imagem quase que intocável para os brasileiros. O seu funeral foi comparado ao de chefes de estado e heróis de guerra, e enlutou o Brasil de forma jamais repetida.

Nem a morte foi capaz de apagar os feitos do piloto dentro das pistas, até a atual data, ele segue sendo o quinto maior vencedor de Grande Prêmios tendo vencido 41 etapas, a primeira em Estoril em Portugal em 1985 e a última em Adelaide na Austrália em 1993. Ele é o brasileiro de maior sucesso estatisticamente e popularmente no esporte a motor.

Ponto forte de Ayrton, o brasileiro conquistou 65 pole positions e até 2021 e o terceiro piloto que mais largou da primeira posição, perdendo para os dois pentacampeões, Lewis Hamilton e Michael Schumacher. Além dessa estatística, são 80 pódios durante seus 10 anos na F1, e 19 voltas mais rápidas.

Ponto forte do tricampeão, quando o traçado ficava molhado era quando ele excedia sobre os outros pilotos, conquistando grandes e memoráveis vitórias sobre condições adversas. Seu ouvido apurado e treinado, além de seus relatórios e descrição de voltas sobre os traçados, também o ajudou a detectar pontos de onde melhorar o carro com mais precisão fazendo com que seu carro fosse o mais estável possível. 

Por isso, vale a pena relembrar no dia de seu aniversário, seis momentos marcantes de sua carreira, ele passou pelas equipes; Toleman, Lotus, McLaren e Williams, na qual disputou três etapas do campeonato de 1994 e não conquistou nenhum ponto.

GP de Mônaco 1984

Em seu primeiro ano na Fórmula 1, Senna estava pilotando pela equipe Toleman uma das equipes do fundo do pelotão, mesmo assim, Ayrton já impressionava com as corridas na África do Sul, onde conquistou o sexto lugar e marcou seu primeiro ponto na F1, e na Bélgica onde terminou em sexto novamente.

Mas foi em Mônaco que seu talento saltou aos olhos do mundo inteiro. Sob condições de chuva forte, o brasileiro começou a ultrapassar os carros mais fortes na reta principal, até ultrapassar o segundo colocado na corrida, Niki Lauda, quando alcançava o líder da prova, seu futuro arquirrival, Alain Prost, a direção da prova determinou que as condições da pista estavam instáveis e decretou bandeira vermelha, fim de prova, este foi o primeiro pódio de Senna.

Em 1984, ele ainda conquistaria mais dois pódios em Silverstone e em Estoril, Inglaterra e Portugal respectivamente. Ao final daquele ano ele se transferiu para uma equipe mais competitiva, a Lotus.

GP de Portugal de 1985

Enquanto o Brasil velava o primeiro presidente eleito em 21 anos, Ayrton Senna conquistava a sua primeira vitória na categoria máxima do automobilismo mundial. E foi novamente sob forte chuva, no circuito de Estoril em Portugal. Ele largou da pole position ao lado de seu companheiro de equipe Elio de Angelis, e disparou, abrindo mais de 1 minuto para o segundo colocado, e dando uma volta em todos os adversários, menos um, a Ferrari de Michele Alboreto.

Senna ainda venceria mais uma vez na temporada, na Bélgica e foi uma figura mais constante nos pódios da Fórmula 1, mas ainda não era o suficiente para o piloto brasileiro. Faltava o título.

GP da Detroit de 1986

Nesta corrida surgiu um dos gestos mais emblemáticos da carreira de Ayrton Senna, ele venceu da pole position e confirmou mais uma vitória, no campeonato, em que ele acabou em terceiro colocado. Em um momento complicado do país, economicamente e socialmente, após conquistar a vitória nos Estados Unidos, o piloto pediu aos oficiais uma bandeira do Brasil e fez a volta da vitória empunhando a bandeira nacional.

GP do Japão de 1988

Após três anos na Lotus, Ayrton Senna se transferiu para a McLaren onde encantou o mundo com a volta da vida, na classificação em Mônaco. Em Suzuka, Japão, penúltima etapa do campeonato, Senna precisava vencer ou terminar a frente de Alain Prost para sagrar-se campeão mundial pela primeira vez. 

Na largada seu carro morreu, mas no tranco reiniciou e o piloto brasileiro teve de escalar de 17º para ultrapassar o seu companheiro de equipe, e conquistou ali o seu primeiro título mundial de Fórmula 1.

GP do Japão de 1989

Um ano após sagrar-se campeão em Suzuka, Senna precisava vencer, caso contrário, seu companheiro de equipe e rival pelo campeonato, Alain Prost, seria o campeão. Prost pulou na ponta na largada e Senna perseguiu o francês durante toda a prova, até quando decidiu fazer uma investida.

O francês fechou para a direita de onde estaria vindo o carro de Senna, e os dois colidiram, um abandono não era o ideal para Senna, para Prost sim, Ayrton retornou a corrida com a ajuda dos fiscais de prova e venceu ultrapassando Alessandro Nannini nas voltas finais. Porém, sua vitória foi anulada e com isso Alain Prost se tornou tricampeão mundial, em uma das decisões mais polêmicas da história da Fórmula 1.

GP do Japão de 1990

Depois de perder o título de 89 de forma polêmica, Senna chegou em Suzuka novamente disputando o título de 1990. Desta vez as situações estavam invertidas, quem precisava da vitória era Alain Prost, que havia saído da McLaren, e estava agora na Ferrari. O novo companheiro de equipe de Senna, era o austriaco Gerhard Berger.

Com a rivalidade entre o brasileiro e o francês no ponto máximo, Senna havia pedido para largar do lado mais emborrachado do traçado, pedido que foi negado pela direção de prova. Senna largou da pole, e Prost em segundo, Prost traciona melhor e os dois disputaram a primeira reta lado a lado com Prost pouco a frente, ao chegar na primeira curva, Prost jogou o carro para entrar melhor, mas Senna não havia tirado o carro, os dois colidiram e com isso, Senna se tornou bicampeão de Fórmula 1.

GP do Brasil de 1991

Já campeão e considerado um ídolo nacional, Senna ainda não havia vencido em território nacional, conquistou um segundo lugar em Jacarepaguá em 1986, mas não havia vencido no Brasil que agora cedia o autódromo José Carlos Pace em São Paulo, não mais no Rio de Janeiro. 

O piloto da McLaren largou na pole position e segurou o ímpeto feroz de Nigel Mansell (Williams),  que rodou na volta 60 e superou quebra da caixa de câmbio, travado na sexta marcha por pelo menos 7 voltas finais, Senna venceu pela primeira vez em casa, e sua comemoração entrou para a história do automobilismo com seus gritos de dor e de emoção misturados.

GP do Japão de 1991

Ayrton Senna liderava o campeonato de 1991 prestes conquistar o tricampeonato, Berger largava na pole com Senna em segundo e Mansell em terceiro, Berger largou e disparou como combinado com Senna, que segurou o inglês até que este passou reto na primeira curva a parou na caixa de brita, dando assim o título de três vezes campeão mundial ao brasileiro naquele momento. Senna ainda alcançaria Berger e liderava a corrida até a última volta, quando na última curva deixou Berger vencer pela primeira vez na McLaren. O segundo lugar não alterou nada no campeonato, apenas garantiu a alegria de todos da equipe na temporada.

GP de Mônaco de 1992

EM 1992, a Williams tinha o carro perfeito, e imutável, mas no Principado de Mônaco, Senna ainda era o mais forte, conseguiu a pole position e apesar das fortes ameaças e pressão da Williams de Nigel Mansell, criando uma cena icônica do inglês mexendo o carro de um lado para o outro sem sucesso em achar uma brecha; o brasileiro conseguiu vencer uma das poucas etapas que poderiam ser conquistadas no braço.

GP do Brasil de 1993

Em 1993, Ayrton vivia o seu último ano na McLaren, e chegou para o Brasil na segunda etapa da temporada tentando se recuperar na pontuação. Largou em terceiro e ficou em terceiro atrás de Damon Hill, sendo pressionado por um jovem Michael Schumacher na Benetton. Até que a chuva causou a entrada de um Safety Car, a Williams se atrapalhou com os pit stops, e com isso Alain Prost que retornava de um hiato longe da categoria, rodou e saiu da prova.

Quando a corrida retornou ao seu ritmo normal, Senna trocou para os pneus secos e partiu pra cima de Damon Hill e uma volta depois conseguiu ultrapassar a Williams. Senna controlou o ímpeto de Hill, e aumentou sempre a diferença entre eles na corrida, assim conquistando a sua segunda vitória no Brasil.

Após a corrida, o carro de Senna foi cercado por torcedores e em clima de Copa do Mundo, Ayrton Senna foi cortejado, voltando do carro de segurança, saudando a torcida local, uma cena emblemática na história da Fórmula 1.

GP da Europa de 1993

O Grande Prêmio da Europa de 1993 seria disputado no circuito de Donington Park na Inglaterra, circuito que Ayrton Senna conhecia muito bem, pois esta é uma pista onde as categorias inferiores disputam as suas provas no país. 

Senna largou em quarto, e caiu para quinto, mas quase que imediatamente Senna recuperou a quarta posição de Schumacher, e logo em seguida mergulhou para ser terceiro, e então seguiu as Williams, na sequência de três curvas Senna passou Damon Hill e Alain Prost. Esta é conhecida como a melhor primeira volta de todos os tempos da Fórmula 1. 

Senna controlou a distância para Prost, e cuidou dos pneus para vencer a corrida com mais de 1 minuto para Damon Hill que terminou na frente de Prost. Esse foi um dos últimos atos geniais de Senna.

GP de Adelaide de 1993

Última prova do campeonato, Adelaide (Austrália), foi palco da última vitória de Ayrton Senna. Ele cravou a pole position e manteve-se sempre na ponta para conquistar a sua 41ª vitória e última na Fórmula 1. Após a corrida, Ayrton Senna e Alain Prost se cumprimentaram na subida para os boxes, o francês venceu o campeonato de 1993, e se despediu definitivamente da categoria. 

Em 1994 Senna se transferiu para a Williams visando ser mais vezes campeão, porém as duas primeiras corridas foram catastróficas, e no Pacifico na segunda etapa Senna conquistou a sua penúltima pole position. Na terceira etapa em Imola (Itália), no dia 1 de maio de 1994 Senna largou da pole e na sétima volta perdeu o controle de seu bólido e acertou a curva Tamburello, da qual não sobreviveu apesar de todos os esforços médicos. 

Senna foi resgatado para o Brasil em um voo fretado, e velado na Câmara Municipal de São Paulo causando comoção nacional. 

Mais de duas décadas após a sua morte, Ayrton Senna segue sendo um dos pilotos mais vencedores de todos os tempos, e o mais emblemático e vibrante que já passou pela Fórmula 1.

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