Internacional

Opinião: é preciso ter paciência com o trabalho de Miguel Ángel Ramírez no Internacional

Ricardo Duarte/Internacional

A derrota do Internacional, no Gre-Nal do último sábado (03), iniciou uma onda reclamações e protestos da torcida colorada nas redes sociais. Na visão de diversos colorados, o time fez um clássico muito ruim, o que explicaria a desvantagem aos final dos 90 minutos. Essas críticas, no entanto, acabaram se voltando muito ao novo treinador Miguel Ángel Ramírez, o que beira a maluquice.

Fazer críticas pontuais por não gostar de um estilo de jogo faz sentido, afinal é um gosto particular. Todavia, são apenas cinco jogos de Miguel Ángel Ramírez na casamata do Internacional. Neste período curto, ele tenta alterar completamente o estilo de jogo do clube que vinha sido implantado por Abel Braga. Enquanto o segundo optava por posicionamento reativo, apostando na força dos contra-ataques, o espanhol prefere manter a posse de bola e trocar passes na defesa, até conseguir um passe que quebre a linha adversária e deixe os companheiros em vantagem sobre a defesa. Mudança radical assim, leva tempo de adaptação, e, em cinco jogos, é impossível prever o que um time que nunca atuou de forma posicional, pode realizar na sequência dos campeonatos.

Na coletiva, após o confronto, Miguel Ángel Ramírez chegou a elogiar a atuação, e lamentou as oportunidades desperdiçadas por Praxedes e Lucas Ribeiro. A pergunta que fica é: Tivessem os gols saídos nesse lance haveriam críticas? A resposta é não sobre 99% das pessoas. A equipe fez, provavelmente, o jogo mais próximo do modelo ideal imaginado pelo treinador. Rodrigo Dourado, como volante, conseguiu furar a defesa com passes em momentos chaves e os zagueiros também mostraram compreender essa nova ideia de toque de bola e infiltração em momentos certos, para não haver riscos de contra-ataque.

A dificuldade vista, entretanto, aparece em outro setor tático colorado. Em um esquema que prima pelo jogo posicional, os pontas são essenciais para quebrar as linhas e darem amplitude a equipe. No entanto, o elenco colorado ainda carece de atletas com essa característica. Palacios chegou a pouco e nem teve tempo de treinar direito sob o comando de Miguel Ángel Ramírez. Já Patrick, assim como Caio Vidal, são jogadores que precisam de espaço para vencerem no um contra um. Principalmente no Gre-Nal, a marcação encaixou sobre eles, impossibilitando de a velocidade, tão determinante nesse tipo de posicionamento, aparecer e decidir o confronto. A escolha do espanhol por Maurício, aliás, foi exatamente por perceber que nenhum atleta do elenco possui as características necessárias para atuar por ali.

Por fim, o torcedor do Internacional precisa entender que assim será a dinâmica do time de Miguel Ángel Ramírez. É verdade que a bola foi recuada em excesso para Marcelo Lomba, mais isso passa também por uma falta de confiança dos zagueiros e, principalmente, pelo não entendimento completo, dos jogadores mais a frente, de como se movimentar para dar opção. A palavra é paciência pois, assim como a torcida ainda se acostuma com o jogo mais lento e de avanços pontuais – que precisam ser aproveitados pelo ataque, de quem realmente se pode cobrar – os jogadores não pegaram completamente as mecânicas de jogo, resultando em um duelo apático em alguns momentos. A tendência, porém, é isso mudar com o passar dos jogos e dos tempos. O Inter não perdeu o Gre-Nal por ter jogado mal, na verdade a justiça seria ele vencer, mas acabou sendo derrotado em um chute de rara felicidade de Léo Chú, que não foi culpa de ninguém.

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