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Opinião: Ingratidão com Fábio escancara realidade de que Cruzeiro precisa tratar melhor seus ídolos

Fábio Cruzeiro Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Alguns dias depois da saída de Fábio do Cruzeiro, ainda muito se fala sobre o modo como a negociação envolvendo a não permanência de um dos maiores ídolos da história do clube se deu: conturbada e recheada de ingratidão e dor. Esse texto talvez até tenha perdido o time, mas com tanto para se falar é preciso primeiro digerir tudo o que aconteceu, e discernir e avaliar pontos.

No entanto, de fato, depois de muito se comentar, o resumo de fato se deu em uma palavra: ingratidão. Mesmo enfrentando um gigantesco problema financeiro – entre rombo e dívidas –, o Cruzeiro, com versões e lados da história distintos, sequer deu a opção de um dos maiores e melhores de sua história de permanecer no clube, com redução salarial aceita. O clube queria lhe dar três meses para se despedir, e ele só queria mais: um ano para levar o clube de volta à Série A e, talvez, se aposentar.

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Ele só queria dignidade. Recebeu humilhação, ao menos conforme seus relatos. Segundo ele, nem seu ex-companheiro de clube, Paulo André, se direcionou a ele para o cumprimentar durante as reuniões de “negociação”, que negociação de nada teve. Afinal, as artes de despedida, texto e vídeo já estavam prontas para serem postadas nas redes sociais do clube, ao que tudo indica. Não demorou sequer minutos do anúncio e tudo já estava nas redes.

Fábio voltou de suas férias com a família e não descansou, foi direto para a reunião para lutar por um futuro já decidido. Ele não teve chances nem de se despedir do clube pelo qual defendeu por quase 20 anos. Sua história de 976 partidas acabou se encerrando em um jogo de despedida de um companheiro. Enquanto a torcida ovacionava Rafael Sobis, mal sabia que também estava por nunca mais ver o seu maior ídolo com a camisa do Cruzeiro em campo.

E Fábio, quando comemorou a assinatura da venda da SAF para Ronaldo em um tweet nas redes sociais, mal sabia que estava “celebrando”, de fato, a assinatura da sua demissão do clube que tanto amou e dedicou sua vida e família.

Uma ingratidão que dá início a um futuro sem sequer pensar em um passado, ainda que a dívida que o clube mantém com Fábio seja para um presente bem próximo e imediato, e escancara o que o Cruzeiro precisa aprender: tratar melhor seus ídolos ou personalidades do presente que muito deram ao clube. Foi assim com Léo e Marcelo Oliveira, ainda que esse último não esteja na categoria de ídolo.

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O zagueiro Léo, muitas vezes campeão com o Cruzeiro, foi um dos primeiros a aceitar a redução salarial quando o clube caiu para a segunda divisão nacional em 2019. Porém, com algumas lesões, o atleta arcou do seu próprio bolso com uma recuperação fora do país, mais precisamente nos Estados Unidos, com autorização do time mineiro. Mas, sequer teve contato do clube para saber sobre sua evolução.

Quando voltou, o Cruzeiro o liberou por não estar apto por questões físicas e técnicas, mesmo com vídeos e exames.

Já o técnico Marcelo Oliveira, que levou a Raposa aos títulos dos Campeonatos Brasileiro de 2013 e 2014, foi demitido, mesmo após as conquistas históricas, sem muitas homenagens. E logo após a morte de sua mãe. Na época, o treinador havia acabado de perder sua matriarca e mesmo assim havia treinado o elenco. Verdade seja dita, o time não estava bem e acabou desclassificado da Taça Libertadores de 2015. Mas, não justifica. Afinal, ainda há ingratidão.

Mesmo que os resultados não estivessem vindo, mais respeito era esperado a um técnico que muito ganhou pelo clube, e estava enfrentando maus bocados na vida pessoal e mesmo assim se doando pelo clube.

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De certo, muita coisa há de mudar daqui para frente. Afinal, o Cruzeiro agora é uma empresa. Talvez, mais fria e esse modelo seja ainda mais replicado e condescendente com o que Ronaldo e companhia deseja. Tomara que não, pois nada pior que a ingratidão a quem muito lhe deu e a dor a quem muito lhe defende, não é mesmo, Nação Azul?!

A Fábio, Léo, Marcelo Oliveira e muitos que passaram pelo clube e tantas alegrias deu ao Cruzeiro, lembrem-se… o torcedor tem-lhes gratidão! Aos que ainda virão, que vocês sejam tratados como ídolos do passado.

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