Atlético-MG

Opinião: Sempre sofrido e quase nunca Galo, hora de mudar o mantra

Foto: Pedro Souza / Atlético

O Atlético venceu o Boca Juniors da forma “mais Galo” possível, com muito sofrimento, sorte e fé. Um dos mantras mais famosos da torcida, adotado também pelo clube e que serve para esse confronto é: “Se não for sofrido, não é Galo”. Mas, quantas vezes foram sofridas? E quantas vezes deram Galo?

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O Atlético é um clube sofrido desde seu nascimento. Sempre nas batalhas, sempre lutando, com azar, sorte, fé e tudo que é possível além do futebol. O clube sempre foi sinônimo de raça, tanto que está presente até no hino: “Com toda nossa raça pra vencer”. Mas o futebol mudou e, já faz um tempo que só a raça não é o suficiente.

Pro Galo, só isso foi poucas vezes suficiente quando o quesito é títulos. São 50 anos sem Brasileiro. Uma Libertadores e uma Copa do Brasil. Além disso, outras inúmeras disputas de títulos, que também foram sofridas, mas que não deram Galo. Se colocarmos na balança, o “sempre sofrido” é muito mais prejudicial do que favorável ao clube. Seja por azar, por erro(s) de arbitragem ou algo do tipo, em todos os quase títulos, a sensação era que o alvinegro precisava “só” jogar o que sabia para superar todas as adversidades.

Principal narrador do Atlético, Mario Henrique ‘Caixa’ tem em um de seus bordões a pergunta de por que tudo tem que ser sofrido com o clube.

Não depender só de raça, sorte e fé não quer dizer que o clube tem que lagar isso tudo pra trás, mas sim que isso não pode mais ser prioridade. Inclusive são coisas que fazem grande parte do futebol. Mas por que contar com o goleiro defendendo um pênalti no último lance, se você pode fazer dois, três gols e fazer um jogo mais tranquilo? Um jogo ou outro bem sofrido é normal, até necessário, mas é realmente preciso (quase) todos serem assim?

O Atlético tem, finalmente, um projeto esportivo para se tornar uma potência. Pra coroar isso, são necessários títulos, e esses títulos podem vir de forma menos sofrida.

Everson e sua fé. Sempre válida, mas que não pode ser dependente – Foto : Cris Mattos / Staff Images

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O elenco atual do Atlético é, provavelmente, o melhor da história do clube. Tem potencial pra ser um grande time que faz grandes exibições. Isso garante obrigatoriamente vitórias e títulos? Não. é o futebol. Você pode jogar muito e perder, assim como jogar nada e ganhar. Mas é fato que, jogando muito, dominando jogos, sendo protagonista das partidas, as vitórias e os títulos vem com mais “facilidade”. Contar com a sorte como prioridade, traz grandes possibilidades de dar errado.

Cabe ao Cuca e a esse elenco do Atlético, descansar um pouco o coração tão sofrido do atleticano. Pois há um potencial enorme pra esse time vencer sem ser sofrido. Como já citado, não há fórmula para vencer no futebol, mas há uma fórmula para não precisar ser tão sofrido e não ficar sempre na linha tênue entre eliminação/perda de título muito triste ou classificação/título histórico.

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