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Outra área: Dirigentes de clubes utilizam o futebol para entrar no ‘campo’ da política

Foto: Alexandre Vidal /Flamengo

A expressão “política e futebol se misturam” é completamente válida. Ao passar dos anos, isto fica mais evidente e os dirigentes dos clubes acabam ganhando espaço no Congresso. No último domingo, por exemplo, vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz foi eleito vereador do Rio de Janeiro. Conhecido como “gelo no sangue”, o dirigente do rubro-negro conquistou 40.938 votos, sendo o sexto mais votado. Ele lançou sua candidatura aos “45 do segundo tempo” pelo PL (Partido Liberal). Sendo assim, entrou para o seleto grupo que utiliza o futebol para entrar no campo da política. E não será sua primeira passagem. O cartola foi secretário de Esporte e Lazer na gestão de Eduardo Paes e, em 2012, já havia se candidatado a vereador pelo PSB, mas não se elegeu.

Para evitar a exposição do clube a conflitos de interesses, conselheiros Flamengo da Gente propuseram uma emenda de reformulação do estatuto a fim de obrigar diretores que se candidatem a cargos eletivos a tirar licença de suas funções internas a partir das próximas eleições.

Em 2018, Eduardo Bandeira de Mello, que foi presidente do Flamengo, se candidatou a deputado federal pela Rede. Após perder a eleição, o ex-dirigente concorreu novamente, dessa vez candidato a prefeito. Diretor executivo na gestão Bandeira de Mello, Fred Luz, filiado ao Novo, virou seu adversário na disputa pela Prefeitura. Os dois candidatos somaram juntos apenas 4% dos votos.

Não foram só estes exemplos que o Rio de Janeiro trouxe. Na década de 1980, Márcio Braga elegeu-se deputado federal após conquistar o tricampeonato carioca e o Brasileiro como presidente do Flamengo. Além deles, Eurico Miranda, que foi um dos personagens mais influentes na história do Vasco da Gama, também obteve dois mandatos no Congresso. Em 2010, o ex-jogador Roberto Dinamite foi eleito para o último de seus cinco mandatos como deputado estadual quando era presidente do clube. Nesta eleição, ele concorreu a vereador pelo PSDC. Com o total de 1.995 votos, não se elegeu.

Em Belo Horizonte, o ex-presidente do Atlético-MG se reelegeu prefeito da cidade. Alexandre Kalil (PSD) assumiu seu primeiro cargo público após vencer no segundo turno da última eleição o ex-goleiro João Leite (PSDB). Embora tenha feito campanha sob o lema “não sou político”, ele se juntou, há 10 anos, ao eterno rival Zezé Perrella (MDB), ex-presidente do Cruzeiro que também foi deputado e senador.

Em São Paulo, o presidente corintiano Andrés Sanchez (PT) foi deputado federal por seis anos. Além dele, André Luiz de Oliveira (PSB), ex-vice presidente e atual diretor administrativo do Corinthians, também tentou se eleger pelo voto do torcedor. O candidato a vereador, que se apresenta como André Negão, recorre do indeferimento de seu registro pela Justiça eleitoral por falta das certidões de ações criminais. Em 2016, ele foi preso por porte ilegal de arma e citado pela Operação Lava Jato como suspeito de receber propina da Odebrecht na obra da Arena Corinthians, mas não chegou a ser indiciado no processo.

TÚNEL DO TEMPO…

Pode-se voltar um pouco na história também. No começo da década de 1970, Fernando Collor de Mello assumiu a presidência do CSA. Entre outros feitos, organizou um jogo despedida como homenagem para Garrincha e estava no comando quando o time subiu pela primeira vez à série A, que disputou em 1974. Collor deixou a presidência para ser prefeito de Maceió e, depois, governador do Alagoas e presidente do Brasil. Na história do país, três ex-presidentes registram lembranças nas área do futebol e política: além de Fernando Collor de Mello, Café Filho e João Goulart.

Em 15 de agosto de 1915, Café Filho foi um dos fundadores do Alecrim Futebol Clube, que no pensamento inicial tinha o objetivo de Alfabetizar crianças. João Goulart, por sua vez, atuou nas categorias de base do Internacional, sua trajetória nos gramados acabou interrompida por um problema na perna esquerda.

Estes são alguns exemplos de dirigentes, jogadores e presidentes de clubes que foram para o rumo da política. Pode-se dizer que virou uma tradição e que, com certeza, muitos outros virão para tentar tomar seu espaço na sociedade.

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