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Por pandemia, CBF ajusta controle de doping para volta aos jogos

Sede da CBF (FOTO: Lucas Figueiredo/CBF)

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai realizar mudanças no controle de doping a partir da retomada dos campeonatos no intuito de se ajustar às recomendações médicas neste momento de pandemia.

Entre as mudanças, está o número de profissionais em cada partida. Se em condições normais havia o envio de três a quatro profissionais para o controle de doping, agora será apenas um para que não haja aglomerações. Se houver muita demanda para apenas um profissional, a CBF pode rever e mandar mais um para não ter acúmulo de trabalho e de pessoas na sala de doping.

Outra mudança será para atletas que se contaminaram pela Covid-19 e precisaram usar algum tipo de medicamento para tratar a doença que poderia ser flagrado no exame antidoping. Como, por exemplo, os beta2-agonista, que são broncodilatadores. Para isso, precisará haver uma oficialização por parte do atleta e do médico que o acompanha para um pedido formal de uma autorização terapêutica (AUT) junto à Comissão de Controle de Doping da CBF.

– O mundo do esporte não relaxou ergogênico (estimulantes), mas existe a possibilidade de um atleta nesse período de ter tido a Covid-19. Se ele fez um tratamento médico, pode ter usado um broncodilatador, por exemplo. Nessa situação, todo o departamento antidoping está preparado para permitir o beta2-agonista (broncodilatador) perante uma solicitação formal de uma autorização terapêutica (AUT), pedida pelo próprio atleta e o médico dele – pontuou Fernando Solera, coordenador da Comissão de Controle de Doping da CBF.

A CBF já enviou um documento à Fifa com as mudanças que pretende fazer no protocolo de doping no futebol brasileiro. Segundo Solera, os novos procedimentos foram aprovados pela entidade do futebol mundial.

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Por causa da paralisação do futebol, a CBF prevê que sejam realizados até 3500 testes de doping no futebol brasileiro em 2020, um número bem menor que os 6500 realizados em 2019.

Confira abaixo um bate-papo com Fernando Solera, coordenador da Comissão de Controle de Doping da CBF.

Esporte News Mundo: O futebol aqui ainda está em paralisação por causa da pandemia, como estão as atividades de doping no futebol brasileiro neste momento?

Fernando Solera: O doping no futebol brasileiro está temporariamente paralisado, sob o ponto de vista prático. Ou seja, a CBF é autoridade de coleta. Como não estão existindo partidas, a autoridade de coleta não está fazendo coleta evidentemente.

Agora, quando usamos o termo o “doping está paralisado”, dá um trabalho porque depois todos dizem que o doping parou no Brasil. Não é isso.

ENM: Com os processos de doping paralisados por causa da falta de partidas, o que tem sido feito pela Comissão de Doping?

FS: A comissão de doping tem feito o processo educacional dos atletas e dos componentes. É o que temos feito no momento com muito trabalho, com muita intensidade. Por meio de web-conferência, com todos os oficiais de controle de doping do Brasil, duas vezes por semana. Fazemos atualização e aprofundamento nos assuntos ligados à dopagem do mundo do futebol.

O que eu faço? Seleciono temas e distribuo aos coordenadores para eles administrarem mini-conferências dentro dessas conferências. Isso faz com que eles estudem e se atualizem.

Também fazemos uma outra situação, com o Dr. Jorge Pagura (presidente da Comissão Médica e de Dopagem da CBF), que é uma série de encontros (virtuais) com os médicos das Séries A, B, C e D, com cada um desses médicos cadastrados nas respectivas séries. O Pagura atualiza a questão médica da pandemia, do eventual retorno, das condições e protocolos de retorno que serão adotados. Com todos os médicos e de todas as séries.

ENM: Qual é o alcance disso? E o retorno?

Todos eles tiveram acesso. Por encontro, chega até a 100 médicos. Sem dificuldades de acesso, com uma adesão bastante grande. O que estamos percebendo é que a medicina do futebol do Brasil está muito técnica. Portanto, a maioria que está se preparando para voltar está adotando protocolos muito interessantes. O território vai ser muito seguro, mas também não significa que não vai ter caso.

Esses protocolos médicos são preconizados e, se houver um seguimento rígido desses protocolos, será um ambiente muito seguro. Sob a minha visão técnica, se todos fizeram o seu papel.

Sobre voltar o futebol, ninguém está fazendo a qualquer custo. O futebol está parado, estamos aguardando as determinações dos órgãos sanitários. Então, a CBF não dá um passo sem que os órgãos competentes digam que esteja liberado. Não é a qualquer preço, isso tem que ser apresentado para todos. Se fosse a qualquer preço, nós já estaríamos jogando.

Então, vai ser num momento que houver uma liberação governamental. Aí, já teremos os protocolos e orientações para voltar. Escuto muito na CBF, como o maior exemplo de que não é a qualquer custo, que a CBF disponibilizou uma verba de ajuda para arbitragem, clubes. Se houvesse a necessidade de voltar a qualquer custo, não haveria essa ajuda.

ENM: Num primeiro momento, pode haver alguma mudança na política de doping por causa da pandemia e, consequentemente, pelo longo período dos atletas afastados dos treinos? Tem algo que vem sendo conversado sobre isso?

FS: Isso não é para o futebol, é para o mundo do esporte. Evidente que nenhuma substância que promova melhora na performance melhoraria teoricamente a doença da Covid-19. O mundo do esporte não relaxou ergogênico (estimulantes que melhoram o desempenho esportivo), mas existe a possibilidade de um atleta nesse período de ter pego a Covid-19. Se ele fez um tratamento médico, pode ter usado um broncodilatador, por exemplo. Nessa situação, todo o departamento antidoping está preparado para permitir o beta2-agonista (broncodilatador) perante uma solicitação formal de uma autorização terapêutica (AUT), pedida pelo próprio atleta e o médico dele.

ENM: Em relação aos testes de doping, quantos a CBF fez em 2020? Qual é a comparação em relação ao mesmo período de 2019?

FS: Este ano nós devemos chegar a 3500 ou 3400 testes. Ano passado foram 6500. Uma consequência indireta da pandemia, que diminuiu o número de campeonatos. Até o controle de doping ajustamos. Vamos mandar apenas uma pessoa de doping por partida para evitar aglomeração.

Claro que, se ficou muito difícil para trabalhar, vamos rever e mandar dois. Mas esse protocolo já foi apresentado à Fifa. Já teve um ajuste de ações que foi apresentado à Fifa, que viu com muito bons olhos.

Então, não acho que vá ter algum problema. Informamos que pretendíamos ajustar os processos de controle de doping para minimizar a chance de ter acúmulo de pessoas na sala de doping.

ENM: A CBF, por meio da Comissão de Dopagem, se preocupa com um possível descredenciamento do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem junto à Wada? Por causa da pandemia, eles estavam com pouquíssimos testes, o que acarreta em menos verba e menos investimentos no desenvolvimento de novas técnicas exigidas pela Wada…

Tenho contato semanal com o professor Henrique (Marcelo Pereira, chefe do LBCD). Reconhecido mundialmente como bom profissional dessa área. Sob ponto de vista técnico, o laboratório vai muito bem. Sob o ponto de vista do número mínimo de amostras estipulado pela WADA, não acredito no descredenciamento. Vou pegar uma frase do presidente da Wada que é um momento de ajustes. Vamos ajustar os controles da Wada, todos os processos de laboratório receberão um ajuste de momento.

O laboratório não corre risco de ser descredenciado pelo momento da pandemia. Como todo laboratório do mundo, corre o risco de errar uma análise, como todos os outros. Essa seria uma única forma, porque é grave. O Henrique me fala semanalmente que, assim que voltar, tem pessoas para fazer todo o trabalho, assim como nós da CBF.

@MarceloRsde

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