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Título da Supercopa do Brasil pode trazer prestígio e segurança para Rogério Ceni no Flamengo

Rogério Ceni conquista o seu oitavo título no Morumbi

POR MATHEUS COSTA

O pôquer é um jogo de baralho bastante conhecido. Nele, o jogador aposta ou perde. Algumas apostas são de risco, outras mais conservadoras, mas apostas são apostas. Quanto maior o risco, em tese, maior a recompensa. Em 2019, Rogério Ceni apostou alto. e deixou o Fortaleza para assumir o Cruzeiro. E perdeu. Voltou para o Fortaleza, retomou seu bom trabalho e reconquistou o prestígio de seu torcedor. Até que chegou a hora de apostar novamente. Ceni, com menos fichas, deu um all-in e assumiu o Flamengo. Pressionado, ambiente tenso e desconfiança. Eliminações, incertezas e instabilidade. Até que… a aposta rendeu. O treinador ajeitou o time e conquistou o Campeonato Brasileiro.

Rogério Ceni começou sua carreira como treinador no São Paulo no ano de 2017. Inexperiente e com poucas ideias definidas, o ex-goleiro acabou não realizando um bom trabalho e acabou demitido. Em 2018, assumiu o Fortaleza com um projeto ambicioso de reerguer o tricolor de aço à Série A. Em um centro mais modesto e fora dos holofotes do eixo Rio-SP, Ceni promoveu uma enorme revolução no clube, desde sobre a estrutura interna até o gerenciamento das categorias de base. Em pouco tempo, o treinador escreveu seu nome na história do clube e se tornou o maior comandante do Leão do Pici. Em 2019, tentou revolucionar um envelhecido e problemático Cruzeiro, mas acabou sendo fritado pelos veteranos e pouco durou no cargo. Voltou ao Pici, continuou seu trabalho, mas resolveu assumir o Flamengo em 2020.

É importante situar o cenário em que Ceni encontrou o Flamengo. Após a demissão de Domènec Torrent, a torcida criticava bastante as atuações do Rubro-Negro e a escolha de um treinador brasileiro, principalmente após o sucesso de Jorge Jesus no ano anterior, foi bastante criticada. Desconfiança pairou desde o primeiro momento em que Ceni chegou ao Ninho do Urubu, mas a esperança do bom trabalho no Fortaleza pairava. Com as eliminações da Copa Libertadores e da Copa do Brasil, o clima azedou de vez. Ou ao menos parecia ter azedado.

Entre constantes problemas do sistema defensivo, entre os gols sofridos na bola aérea e a saída de bola deficiente, até a eterna questão da não utilização de Gabigol e Pedro juntos no ataque, Ceni conseguiu corrigir alguns defeitos e a evolução do Flamengo dentro de campo. Entre inúmeras apostas, duas se provaram grandes acertos: a improvisação de William Arão na zaga e a entrada de Diego no papel de primeiro volante. O time cresceu, os protagonistas foram potencializados e o bicampeonato brasileiro veio. Sofrido, mas veio. Na última rodada, mas veio.

O título trouxe um pouco de tranquilidade para um trabalho que aparentava que seria interrompido ao fim da competição. Mas não o suficiente. Mesmo com a conquista, a fome de títulos do torcedor rubro-negro não encontra a segurança no treinador. E, claro, o fantasma de Jorge Jesus continua a assombrar o Ninho do Urubu. Depois de um ano tão mágico e quase perfeito em 2019, criou-se o folclore de que o Flamengo terá que atuar daquela forma para sempre, independentemente de quem estiver no comando. Não é bem assim que a banca toca, principalmente se tratando de um jovem tão ambicioso e de personalidade tão forte como Rogério Ceni.

Com a nova temporada, chegou a hora do primeiro teste para Rogério Ceni na temporada de 2021. A Supercopa do Brasil traz um dos confrontos mais conflitantes e interessantes do país. O Flamengo, atual campeão da competição e do Campeonato Brasileiro, encontra o Palmeiras, atual campeão da Libertadores e com um trabalho muito bem estabilizado do português Abel Ferreira, que tem a fome de conquistar tudo o que vier pela frente.

O título da Supercopa do Brasil pode significar muito mais do que aparenta. Não se trata de mais um troféu de prestígio para a galeria de troféus da Gávea. Não se trata apenas de uma boa premiação que traz um leve afago ao balanço financeiro Rubro-Negro. A conquista, sim, pode trazer o prestígio e a segurança para Rogério Ceni iniciar uma temporada com as próprias pernas, menos pressão e com a confiança de um torcedor que quer vencer, vencer, vencer. Sem o fantasma do Mister que deixa tanto saudade, é claro.

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