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Baixo número de impedimentos simboliza o modelo ofensivo do Corinthians; entenda

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Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
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Tiago Nunes tem sido alvo de críticas por parte da torcida pela “falta de identidade” do Corinthians. Seja pelas mudanças no elenco titular, as substituições ao longo dos jogos ou as falhas defensivas, são recorrentes os julgamentos. Entretanto, um número específico pode ilustrar o jeito do alvinegro jogar: os impedimentos.

O Corinthians é a equipe com menos impedimentos nesta edição do Campeonato Brasileiro, com apenas três. Isso resulta em uma média de 0.4 infração por jogo – aproximadamente uma a cada dois jogos. Para ser mais exato, foram apenas três partidas em que algum corintiano ficou impedido: contra Botafogo, São Paulo e Atlético Mineiro.

Quanto menos, melhor?

É natural pensar que quanto menos um time fica impedido, melhor – afinal, está cometendo menos erros. No caso do Corinthians, o inverso é que é verdadeiro. O baixo número de impedimentos ilustra como a equipe é pouco vertical e carente de velocidade. Quem segue o Timão na lista de menos impedidos é o Grêmio, com sete. Os gaúchos, coincidentemente, têm o segundo pior ataque.

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E mesmo empatado como o segundo melhor ataque da competição, o Corinthians cria pouco. Segundo dados do SofaScore, o time de Tiago Nunes teve 10 grandes chances ao longo da edição, combinados aos 11 gols. A efeito de comparação, o São Paulo, com um gol a menos, criou cinco grandes oportunidades a mais. O Flamengo, que tem o mesmo número de gols que o Corinthians, já criou 24 chances claras, por exemplo. É um dado que mostra como o alvinegro mais faz gols que cria chances reais marcar.

Por mais que soe diferente, isso faz sentido. O Corinthians é a segunda equipe com mais escanteios no Brasileirão (6.6 por partida), o que mostra como oportunidades pelo alto, e em bola parada, têm sido um dos grandes frutos ofensivos do time. Além disso, foram duas chances fazer gols de pênalti, com um acerto e um erro.

E o que isso quer dizer?

O fato de o Corinthians ser o time com menos impedimentos, na verdade, mostra a identidade da equipe. As jogadas de profundidade, aproveitando corredores com amplitude, são raras. O mesmo acontece com os lançamentos nas costas da defesa. Por outro lado, não quer dizer que essas oportunidades sejam descartadas – ocorre o contrário. Ramiro participou de dois gols vindos de lançamentos de Cantillo, que pegaram a última linha adversária desprotegida, e a corrida de Léo Natel pela ponta-direita ocasionou o gol de Jô na última rodada, contra o Botafogo.

A identidade do Corinthians pode não agradar a torcida, entretanto. A ideia de Tiago Nunes, de manutenção da bola no campo de ataque, imobiliza certas opções ofensivas, como as citadas anteriormente. Com todo o time no campo adversário, incluindo os zagueiros, cena comum nos jogos do Corinthians, a equipe “perde campo” para atacar. Nessa disposição, o espaço entra as costas dos zagueiros adversários e o gol é mínimo e dificilmente é passível de exploração. A pouca mobilidade de Jô também é um fator, uma vez que exige que a bola chegue, preferencialmente, no pé do atacante para jogadas de pivô.

Dessa forma, o Corinthians é um time de transição ofensiva lenta e que, até o momento, não tem conseguido imprimir contra-ataques com sucesso. Essa falta de velocidade impede a equipe de pegar o adversário desorganizado e a fase ofensiva do alvinegro encontra uma equipe já bem postada na defesa. No final das contas, Tiago Nunes tem uma filosofia e imprime, sim, uma identidade – com lados positivos e negativos.

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