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Opinião: se a questão do São Paulo for física, é ruim, se não for, é pior

Rubens Chiri / saopaulofc.net

O São Paulo não vence uma partida há quase um mês e ainda não venceu no Brasileirão, são nove jogos sem conquistar os sonhados três pontos. De lá pra cá os adversários foram diversos, desde times recém-promovidos, como Cuiabá e Chapecoense, no Morumbi, até clássico fora de casa, com o tabu jogando contra.

                 

Cada jogo teve uma história e o mesmo resultado final, que escancara uma crise, que já não pode mais se esconder atrás da cortina do título Paulista. O São Paulo vive um looping independente do treinador, comissão técnica e até dirigentes e hoje encontra uma situação bastante semelhante ou até pior, do que a vivida no início de 2021, quando engatou uma sequência de sete jogos sem vencer e perdeu o título do Brasileirão.

O São Paulo terminou o campeonato vencendo apenas 2 de 11 partidas, com 5 derrotas, 4 empates e 2 vitórias, ou seja, atualmente, com 5 empates e 4 derrotas, precisa vencer Internacional e Bahia para não ter um início de Brasileirão pior do que o fim do campeonato passado.

O alento fica pelo título Paulista, mas que não vai significar absolutamente nada, se o time, por exemplo, cair no Brasileiro, briga que hoje é o mais provável caminho do time ao longo da competição. O São Paulo tem o pior início de uma equipe paulista na história e uma campanha inicial pior do que a de times que foram rebaixados antecipadamente em edições anteriores.

Há duas perguntas que todos gostaríam de ter a respota: qual o problema do São Paulo? Qual a solução para esse problema?

É claro que a condição física do time vai aparecer em primeiro lugar. O elenco do São Paulo não teve férias, não descansou e jogou o Paulista com força máxima. O rodízio do time titular visava justamente amenizar os danos da maratona de jogos sem a devida pré-temporada e em um curto espaço de tempo. Afinal, não surtiu efeito ou não foi feito da forma como deveria ter sido feito? A cobrança sobre os jogos com os reservas pesou? A derrota para o 4 de Julho fora de casa atrapalhou?

Falar agora sobre o que deveria ou poderia ter sido feito, é engenharia de obra pronta, mas nenhum de nós, jornalistas ou torcedores, têm acesso e sabe sobre o desgaste físico do elenco com a profundidade que devem ter os analistas e especialistas do tricolor. Nesse caso, coube a todos confiar na avaliação feita pela comissão e acreditar que aquele caminho levaria o time a um desgaste reduzido, apesar da sequência absurda de partidas e do histórico dos jogadores.

Até porque, esse era o discurso oficial em diversas coletivas: o planejamento estava dentro do esperado, tudo corria bem. Não condiz com o discurso atual, das mesmas pessoas, que agora nos contam que estamos pagando o preço de ter jogado o Paulista com força máxima. É como se tivessem não só omitido, mas mentido sobre o efeito colateral da decisão tomada para o torcedor.

Porque o que contaram para os torcedores quando a busca pelo título e pela melhor campanha foi definida, é que o rodízio era uma boa saída. Que poupar contra Corinthians, Racing, Rentistas, Mirassol, Santo André, São Caetano, etc, era o suficiente para manter o nível físico do time. Agora que o barco desandou, eles revelam que a culpa é do Paulista? Que estamos pagando o preço do título? Desculpa, mas como torcedor, me sinto totalmente enganado pelos discursos oficiais do São Paulo.

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Não que não fosse claro e perceptível que isso teria um preço, mas ninguém falou que o preço seria esse. Que o custo seria um time que não está prestes a chegar em dez jogos sem vitória. A gente imaginava uma oscilação normal, padrão, que levasse o time para o meio da tabela e não para o flerte com a lanterna do campeonato.

E isso não é nem a parte mais preocupante da história toda.

Se o problema é físico, quando o São Paulo terá uma janela para esse recondicionamento? Os atletas preciam de férias, mesmo que seja pequena? Quando vai poder fazer isso? Tem duelo eliminatório contra o Racing batendo na porta, oitavas de final da Copa do Brasil também e o próprio Brasileirão virou um matar ou morrer, já que o São Paulo precisa de pelo menos 40 dos 87 pontos restantes para não ser rebaixado e com a bola que vem jogando, vai precisar se superar para atingir essa campanha. Chegamos em um momento decisivo, enquanto o São Paulo vive seu pior momento.

Não dá pra enxergar atualmente o São Paulo conquistando esses pontos. Atualmente, mesmo com os titulares, não consegue vencer jogos teoricamente fáceis dentro de casa. Se descansar eles, também não consegue vencer. Tem elenco e paga uma das folhas mais caras do país para chegar muito mais longe do que uma briga contra o rebaixamento, então o que fazer para atingir o objetivo? É o caso de abdicar de fato de umas duas ou três rodadas da competição e dar um período maior de descanso?

Algo que hoje é possível enxergar que poderia e deveria ter sido feito logo nas rodadas iniciais, mas como falei antes, é engenharia de obra pronta, infelizmente não tem efeito nenhum, a não ser a análise crítica, ao meu ver, correta. Vendo os resultados atuais, com o time abdicando involuntariamente do início do Brasileirão, fica mais fácil dizer que poderia ter abdicado de três ou quatro rodadas para descansar o elenco, apesar da chiadeira que isso criaria.

O que mais preocupa nesse caso, é que o São Paulo começa a tomar atitudes drásticas nas suas escalações, em busca dessa tão desejada vitória, o que pode, a longo prazo, só piorar a situação. Escalações quase repetidas contra Corinthians e Bragantino, Éder e Benitez jogando os improváveis 90 minutos depois de voltarem de lesão. A esperança é que exista uma avaliação sobre isso, mas se ela for a mesma avaliação que nos levou ao momento atual, o termo muda para desespero.

Mas e se o problema não for a condição físcia? Porque no início do ano, quando uma situação muito semelhante foi vivida, não era físico e verdade seja dita, ninguém sabe ou ninguém fala o que aconteceu para uma queda de rendimento tão brusca.

Nesse caso, a preocupação é ainda maior e a situação ainda pior. Se for a condição física, a gente pode especular, analisar e até sugerir algo e esperar uma mudança logicamente palpável. Porém se forem outros fatores, especialmente extracampo, então não há nada a fazer, além de observar e torcer.

Entramos numa questão muito mais delicada, onde os julgamentos são mais pesados e deveriam ser, mas não seriam, mais cautelosos. O grupo sempre diz que está se esforçando, que está fechado, que luta e pra ser sincero, até se vê a luta dentro de campo, mas o resultado não acompanha essa suposta batalha e até o resultado aparecer, tudo será questionável, como foi no início do ano.

Pode ser uma questão tática? Pode ser uma ilusão que tivemos com um torneio de nível técnico inferior? Pode ser fator extracampo? Pode ser muita coisa, mas para nenhuma delas temos respostas e provavelmente nunca teremos.

O que foi questionado no início do ano, aliás, até hoje não foi e nunca será respondido, mas a verdade é que da mesma forma que parou de jogar, o São Paulo também voltou a jogar, sem maiores explicações e pode ser que volte a jogar de repente, sem falar muito sobre o porquê parou.

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