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ANÁLISE: Viva o time do ano!

O colunista Rodrigo Coutinho analisa o jogaço entre Bayern de Munique x Barcelona pelas quartas de final da Champions League

O Bayern de Munique é o melhor time do mundo na temporada 2019/2020! Não importa o que acontecer na próxima semana, quando a equipe alemã disputará as duas fases que restam da Uefa Champions League, os bávaros serão lembrados por um desempenho avassalador desde que Hansi Flick assumiu o comando técnico. Nesta sexta, em Lisboa, o pentacampeão europeu passou por cima do Barcelona. 8×2 fora o ”baile”! Muller(2), Coutinho(2), Perisic, Gnabry, Kimmich e Lewandowski fizeram para o Bayern. Alba(contra) e Suarez marcaram para os humilhados catalães.

Muller, Perisic, Lewandowski, Alaba… Difícil dizer quem jogou mais na goleada sobre o Barcelona. Foto FC Bayern

Hansi Flick novamente não teve Pavard na lateral-direita. Kimmich seguiu no setor e Thiago e Goretzka formaram a dupla de volantes. Coman, se recuperando de lesão, iniciou no banco, dando lugar a Perisic mais uma vez. Já Quique Setién preferiu uma escalação mais conservadora. Manteve Sergi Roberto no meio para poder formar duas linhas de quatro por trás de Messi e Suárez no momento defensivo. Vidal entrou pela esquerda. Busquets voltou e Rakitic foi para o banco. No momento ofensivo uma espécie de 4-3-3.

Como as equipes iniciaram taticamente

20 minutos… Esse foi o tempo que o Barcelona conseguiu ser minimamente competitivo contra o Bayern de Munique. Para quem acompanhou de perto o desempenho das equipes nos últimos meses, o atropelo bávaro não foi nenhuma novidade, mas o início de jogo dos culés até deu a impressão que o time havia se mobilizado em torno do jogo. Talvez essa mobilização até tenha ocorrido, mas foi insuficiente diante de tamanha intensidade, agressividade, competência e organização do adversário.

O time catalão chegou a criar quatro bons ataques nos primeiros dez minutos. Em deles, Alba recebeu lançamento primoroso de Lenglet e cruzou rasteiro na área. Alaba marcou contra. Antes, Sergi Roberto já havia puxado contra-ataque perigoso pela direita e Suarez tinha parado em Neuer. Mesmo destino da jogada de Semedo e Messi logo depois. O camisa 10 quase marcou também ao acertar a trave em cruzamento na direção da meta aos 9′.

Em fase ofensiva, Messi e Vidal flutuavam para a entrelinha do Bayern. Semedo e Alba sempre dando amplitude e o trio de meio na base da jogada.
Em fase defensiva o time se postava no 4-4-2, mas sem intensidade ao pressionar a bola.

Menos mal que o Bayern já havia aberto o placar momentos antes. Gnabry puxou contra-ataque e serviu Perisic pela esquerda. Ele cruzou na entrada da área e Muller tabelou com Lewandowski antes de marcar de canhota. A transição defensiva do Barça, problemática em toda a temporada, seria vilã mais uma vez, assim como a incapacidade de superar a forte pressão feita pelos alemães na saída de bola.

O Bayern pressionando com seis ou até sete jogadores no campo de ataque, sempre tentando diminuir o raio de ação de Busquets e pressionar Ter Stegen, Piqué e Lenglet, bloqueando a linha de passe deles.

Em 22 minutos os bávaros produziram nada menos que nove ataques perigosos. A maioria deles roubando bolas perto da área do Barça, ou retomando em intensas pressões pós-perda. Os blaugranas não conseguiam mais competir. Foram sufocados e sofreram mais três gols. Muller, de novo, Gnabry e Perisic marcaram.

A pressão do Bayern consistia em adiantar sua equipe de forma compacta e intensa, com os setores muito bem coordenados para não dar oportunidades de escapes aos catalães. Com Busquets encaixotado, Ter Stegen, Lenglet e Piqué com as opções de passe curto bloqueadas, sobravam erros ao Barça.

Com a posse, além de imprimir uma circulação rápida e vertical, os alemães contavam com uma marcação novamente frouxa do adversário, um padrão do Barça em vários jogos da temporada. Um prato cheio para a mobilidade e a força ofensiva do time. Gnabry e Perisic variavam entre os lados e o centro do gramado. Davies e Kimmich subiam para ocupar os corredores. Goretzka circulava entre as linhas, infiltrava na área. Muller circulava por toda a intermediária e Lewandowski abria espaços para quem vinha de trás.

Kimmich comemora um dos gols do Bayern. Foto: FC Bayern

No 2º tempo, Setién promoveu a entrada de Griezmann no lugar de Sergi Roberto. Retomou o losango no meio do jogo contra o Napoli. O francês por trás de Messi e Suárez. Vidal no tripé de meio com Busquets e De Jong. O Bayern relaxou um pouco a postura de marcar adiantado e deu mais espaços ao Barça. Alba recebeu mais um lançamento pela esquerda, desta vez em passe de Messi e serviu Suárez na entrada da área. O uruguaio entortou Boateng e diminuiu.

Foi a senha para o Bayer retomar a concentração e a intensidade de outrora. Lewandowski já havia feito um gol anulado por impedimento. Perisic assustou em chute da entrada da área, mas aos 17 minutos foi a vez de Davies fazer uma linda jogada pela esquerda, deixar Semedo no chão e cruza rasteiro para Kimmich marcar. Um lateral fazendo a jogada de linha de fundo e outro finalizando na pequena área. Poucas coisas resumem melhor os bávaros atacando do que isso.

Daí em diante o que se viu foi uma humilhação. A cada ataque do Bayern ficava nítida a letargia e apatia dos culés. Philippe Coutinho entrou e marcou dois. Lewandowski fez o seu em passe do brasileiro. Foi a maior vergonha da história do Barcelona. O desfecho de mais uma temporada mal planejada.

A ficha do jogo com os detalhes da partida e as notas de cada atleta
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