Paralimpíadas

Conheça as classificações funcionais das modalidades paralímpicas

Foto: Paralympic Games / Twitter

As modalidades paralímpicas apresentam diferenças em suas classificações funcionais com o objetivo de garantir o equilíbrio competitivo. Nesse critério, o atleta passa por três etapas de avaliação. Primeiro é feito um exame físico para verificar qual a deficiência do competidor. Em seguida, são realizados testes funcionais como força muscular, amplitude de movimento articular e coordenação motora. No último estágio, o atleta passa por um exame técnico – com o uso das adaptações necessárias –, em que são observados os movimentos e a técnica utilizada durante a prova.

A nomenclatura oficializada pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC) são formadas por uma letra e um número. O primeiro elemento se refere ao nome da modalidade ou da deficiência em inglês. No caso da numeração, indica o grau de comprometimento provocado pela lesão no atleta. As diversas classificações funcionais em cada esporte justificam o número maior de medalhas distribuídas nos Jogos Paralímpicos em comparação com as Olimpíadas: 1639 contra 1080.

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Alguns esportes apresentam uma nomenclatura única. No entanto, outras modalidades fazem diferenciações de acordo com os tipos de prova e, por isso, há mudanças nas letras que fazem essa identificação.

ATLETISMO

Nas provas do atletismo duas letras identificam a modalidade: o “F” (field, em inglês) para as disputas de campo – arremessos, lançamentos e saltos; e o “T” (track) para as corridas de fundo e de velocidade.

Os intervalos dos números identificam, além do grau de comprometimento, o tipo de deficiência. Quanto menor a numeração, maior a lesão.

– 11 a 13: pessoa cega

– 20: pessoa com deficiência intelectual

– 31 a 34: pessoa com paralisia cerebral e cadeirante

– 35 a 34: pessoa com paralisia cerebral andante

– 40: pessoa com nanismo (baixa estatura)

– 41 a 47: amputados

– 51 a 57: cadeirantes, devido a sequelas de poliomielite, lesão medular e amputação

BADMINTON

O badminton faz sua estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. A nova modalidade tem seis classes funcionais. A escolha dessas categorias se deu pelo fato de haver a quantidade correta de atletas de países distintos. Quanto maior o número, maior o grau da deficiência.

WH1 e WH2 – atletas cadeirantes

SL3 e SL4 – atletas com deficiência nos membros inferiores e fazem uso de prótese

SU5 – atletas com amputação nos membros superiores

SH6 – atletas com nanismo (baixa estatura)

BASQUETE EM CADEIRA DE RODAS

No basquete em cadeira de rodas, os atletas recebem uma pontuação de acordo com o nível de comprometimento motor. A classificação funcional varia entre 1 a 4,5 pontos; quanto menor o impacto nos movimentos, maior é o número. Ao longo da partida, a soma dos cinco jogadores em quadra não pode ultrapassar os 14 pontos.

BOCHA

Na bocha existem quatro classificações para os atletas da modalidade: BC1, BC2, BC3 e BC4.

As categorias 1, 2 e 3 são para os competidores com paralisia cerebral. Na BC1, os atletas conseguem arremessar a bola, mas tem a possibilidade de receber algum auxílio para estabilizar a cadeira de rodas e a bola.

Na BC2, não há qualquer tipo de assistência, devido ao baixo comprometimento motor dos atletas. Na BC3, os atletas apresentam maior dificuldade em arremessar a bola e, por isso, precisam de uma rampa para jogar.

A classe BC4 é para os atletas com outros tipos de deficiência com um grau mais severo e que necessitam de assistência para arremessar a bola.

CANOAGEM

Nos eventos da paracanoagem, os atletas são divididos em três classes funcionais: KL1, KL2 e KL3. Assim como no basquete em cadeira de rodas, os competidores recebem uma pontuação, mas o critério de avaliação neste caso é o de seu potencial motor. Para isso, os testes observam a capacidade de movimentação das pernas e do tronco, além de uma simulação da remada dentro da água.

As classes funcionais tem as respectivas pontuações: KL1 – até três pontos –; KL2 – de quatro a sete pontos –; e KL3 – oito ou nove pontos. Quanto maior a pontuação, maior o potencial funcional do atleta.  

CICLISMO

Nas provas de ciclismo de estrada e de pista no programa paralímpico há quatro classificações funcionais.

A categoria “B” é para os atletas cegos. A bicicleta tem dois lugares e é chamada de tandem. O competidor com deficiência visual vai atrás e é direcionado pelo “ciclista guia” – ou piloto – que a frente. A letra presente na nomenclatura da categoria se refere à palavra “blind” – “cego”, em inglês.

Na classe H – letra usada em referência à bicicleta do tipo handbike –, os atletas são divididos nas categorias de 1 a 5. Assim como em outras modalidades, quanto menor a numeração, maior o comprometimento do ciclista. Das classes H1 a H4, os competidores se posicionam deitados e impulsionam a bicicleta com as mãos. Na H5, os atletas ficam ajoelhados e fazem a força do movimento com o tronco.

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A categoria T é para atletas com dificuldades para se equilibrarem. Por esse motivo, eles utilizam triciclos durante as provas. As classes T1 e T2 se referem ao nível de comprometimento motor: o primeiro com um grau maior, em relação ao segundo.

Os atletas com classificação funcional na categoria C apresentam comprometimento motor ou amputações que restringem os movimentos de braços, pernas ou tronco. Utilizam, portanto, bicicletas convencionais adaptadas para participarem das competições.

ESGRIMA EM CADEIRA DE RODAS

A esgrima em cadeira de rodas é uma modalidade elegível aos atletas com comprometimento motor em uma das pernas ou dos pés. O esporte paralímpico é dividido entre as categorias A e B.

Classe A: competidores que apresentam controle do tronco e do braço que segura o florete, a espada ou o sabre.

Classe B: os atletas apresentam uma deficiência que prejudica tanto o controle do tronco, quanto do braço que segura o florete, a espada ou o sabre.

FUTEBOL DE 5

No futebol de 5, são elegíveis para as posições de linha os jogadores totalmente cegos (categoria B1). Esses são os atletas que não tem qualquer percepção da luz ou, ainda, aqueles que não reconhecem a forma de objetos ou pessoas à qualquer distância, apesar de perceberem a luminosidade. O goleiro, no entanto, enxerga totalmente.

GOALBALL

O goalball é um criado exclusivamente para pessoas com deficiência visual. Os atletas recebem a classificação funcional B1 (totalmente cego), B2 (percepção de vultos) e B3 (percepção de imagens). Apesar dos diferentes níveis de cegueira, os atletas competem juntos. Para que haja igualdade de condições, todos os competidores atuam com uma venda nos olhos.

HALTEROFILISMO

No halterofilismo não há classificação funcional de acordo com o grau de comprometimento do participante. Na modalidade, o peso é o único critério utilizado para categorizar os competidores, de modo que atletas com diferentes deficiências disputam as mesmas medalhas. Dentre os elegíveis à modalidade, estão aqueles que tem deficiências que afetam o movimento das pernas e dos quadris, além de pessoas com nanismo.

HIPISMO

O hipismo paralímpico é dividido em quatro classes. Assim como outras modalidades a numeração mais baixa indica um maior grau de comprometimento do atleta, de acordo com sua deficiência.

Na classe 1 – dividida em A e B – competem atletas cadeirantes com pouco equilíbrio do tronco e/ou com comprometimento das funções nos membros superiores e inferiores. Além disso, há atletas que não tem nenhum equilíbrio do tronco, mas tem um bom funcionamento dos membros superiores.

A classe 2 também é voltada para atletas cadeirantes, mas com um comprometimento severo ou do tronco, ou dos membros em um lado do corpo (unilateral).

Na classe 3, os competidores conseguem caminhar sem apoio e apresentam um comprometimento mediano de um dos lados do corpo. Nessa categoria há, também, atletas totalmente cegos.

Na classe 4, estão elegíveis os atletas com algum grau de cegueira, ou aqueles com comprometimento motor em pelo menos um dos membros inferior ou superior.

JUDÔ

O judô é outra modalidade exclusiva para atletas com deficiência visual. No esporte há três categorias: B1, B2 e B3. O primeiro é para competidores totalmente cegos; na B2, os atletas tem percepção de vultos; e na B3 participam aqueles que conseguem definir imagens.

Vale ressaltar que no caso dos competidores da categoria B1, um círculo vermelho é costurado na manga do kimono. Enquanto que os atletas que forem surdos, um círculo azul nas costas é utilizado na identificação.

NATAÇÃO

A natação tem um critério para as classificações funcionais parecido com o atletismo. Na modalidade há três conjuntos de letras para identificar o tipo de prova em disputa: o “S” se refere aos estilos livre, costas e borboleta; o “SB” ao nado peito; e o “SM” indica os eventos individuais do medley (nados livre, borboleta, costas e peito na mesma prova).

As classes (números) seguem o mesmo padrão de outras modalidades: quanto menor o número, maior o grau de deficiência.

1 a 10: atletas com deficiências físicas;

11 a 13: atletas com deficiência visual; os da classe 11 tem pouca ou nenhuma visão;

14: atletas com deficiência intelectual

REMO

O remo tem três classificações funcionais e leva em conta a capacidade motora dos atletas para fazer a categorização.

Na AS, os competidores tem paralisia cerebral, deficiência neurológica e/ou comprometimento da função motora. Os atletas utilizam só podem usar os braços e os ombros para impulsionar o barco.

A classe TA tem competidores amputados dos membros inferiores, além daqueles com paralisia cerebral e deficiência neurológica. Os competidores podem impulsionar o barco utilizando os braços, os ombros e o tronco. Nesta categoria, o barco deve ser formado com um homem e uma mulher.

Na classe LTA, os atletas elegíveis são os com cegueira – utilizando venda nos olhos –, amputações, paralisia cerebral, deficiência neurológica ou intelectual. Os competidores podem impulsionar o barco com as pernas, os braços e o tronco. Em cada prova, participam quatro tripulantes, com no máximo dois atletas com deficiência visual.

RUGBY EM CADEIRA DE RODAS

No rugby todos os atletas são tetraplégicos. Assim como no basquete em cadeira de rodas, os competidores recebem uma pontuação de acordo com a sua habilidade funcional, que varia de 0,5 a 3,5. Quanto maior o número, menor o grau de comprometimento. Os quatro atletas em quadra não podem somar mais do que oito pontos, no caso dos homens, e até 8,5, para as mulheres.

TAEKWONDO

Outro estreante no programa paralímpico, o taekwondo tem duas classificações funcionais: o K43 e o K44. A letra “K” se refere ao termo “kyorugui”, que significa luta em japonês.

K43: elegível para atletas com amputação bilateral na altura do cotovelo e com dismelia bilateral – má formação dos membros superiores.

K44: podem competir os atletas com amputação unilateral na altura do cotovelo, má formação de um dos membros superiores (dismelia unilateral), paralisia de um dos membros superiores ou inferiores (monoplegia), paralisia de um dos lados corpo (hemiplegia) e diferença no tamanho nos membros inferiores.

TÊNIS DE MESA

A nomenclatura TT refere-se ao esporte em inglês – table tennis. O tênis de mesa tem 11 classificações funcionais. Assim como em outras modalidades, quanto menor o número, maior o grau de comprometimento físico-motor. Os atletas são divididos da seguinte forma:

TT1 a TT5 – atletas cadeirantes

TT6 a TT10 – atletas andantes

TT11 – atletas andantes com deficiência intelectual

TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS

O tênis em cadeira de rodas tem duas classificações funcionais: a Classe Aberta e a Classe “Quad”.

A categoria aberta é formada por atletas com comprometimento na locomoção, em decorrência de amputações ou por doenças na medula. No entanto, não há qualquer restrição de movimento nos braços e nas mãos.

Na categoria “quad”, a deficiência do competidor afeta os movimentos das pernas e dos braços, o que dificulta o domínio tanto da raquete, quanto a locomoção com a cadeira de rodas. Nessa classe, homens e mulheres podem competir juntos.

TIRO COM ARCO

O tiro com arco tem três categorias funcionais: ST, W1 e W2. Na classificação é avaliada a capacidade físico-motora do atleta.

Na classe ST, os competidores não apresentam deficiência nos braços, mas tem algum grau de comprometimento na força muscular, na coordenação ou na mobilidade das pernas. Os arqueiros e as arqueiras podem ficar de pé ou sentados durante as disputas.

Na classe W1, os atletas são tetraplégicos e, por isso, apresentam um grau de comprometimento físico-motor que limita os movimentos. Os competidores atuam em cadeira de rodas.

Na classe W2, competem os arqueiros e as arqueiras com paraplegia e, também, aqueles com mobilidade articular reduzida nos membros inferiores. Utilizam a cadeira de rodas durante a competição.

TIRO ESPORTIVO

O tiro esportivo é dividido entre as classes SH1 e SH2. Na primeira classificação funcional, o atleta não precisa de apoio para suportar o peso do equipamento; as provas nessa categoria são com rifle e pistola. Na classe SH2, o competidor precisa de um suporte durante a prova; só pode utilizar o rifle.

TRIATLO

O triatlo paralímpico tem cinco classificações funcionais.

PT1: participam atletas com comprometimentos físico-motores que dificultam nas provas de ciclismo e corrida. Para isso, utilizam uma bikehand e uma cadeira de rodas na última etapa do triatlo.

PT2: categoria que engloba os atletas com deficiência nos membros inferiores, carência de força muscular, redução na amplitude de movimentos, entre outros. Nas etapas de ciclismo e corrida, os competidores amputados podem utilizar próteses ou outros equipamentos de apoio devidamente aprovados nas regras.

PT3: nessa categoria, os atletas recebem uma pontuação de acordo com o grau de comprometimento físico-motor. Os competidores elegíveis apresentam as mesmas deficiências dos participantes da PT2, no entanto receberam na avaliação entre 455 e 494,9 pontos.

PT4: pelo mesmo critério das categorias PT2 e PT3, os atletas dessas classes receberam na avaliação de classificação entre 495 e 557 pontos.

PT5: classe dos atletas com deficiência visual. Assim como em outras modalidades, a categoria está subdividida em B1, B2 e B3, de acordo com o critério de quanto menor o número, maior o grau da lesão.

VÔLEI SENTADO

No vôlei sentado participam atletas amputados, com paralisia cerebral, com lesão na coluna e outras deficiências locomotoras. A única divisão na modalidade é entre os competidores deficientes (D) e os chamados “minimamente deficientes” (MD), que são os ex-jogadores de vôlei convencional que sofreram lesões graves nos joelhos e/ou tornozelos. Em cada partida, uma equipe só pode contar com um jogador MD por vez em quadra.

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