Santos

Eleições do Santos: veja as principais propostas do candidato Andres Rueda

Andres Rueda, candidato a presidente do Santos (Arquivo Pessoal)

Por Arthur Faria e Paulo Sérgio

                 

O Santos conhecerá seu novo presidente no próximo dia 12 de dezembro. Andres Rueda inscreveu a Chapa 4 com o lema “União pelo Santos”. O Esporte News Mundo entrevistou o candidato e conheceu suas principais propostas.

Além de Rueda, mais cinco nomes concorrem ao pleito: Miltinho Teixeira, Daniel Curi, Fernando Silva, Rodrigo Marino e Ricardo Agostinho. O ENM segue entrevistando os candidatos, e no próximo dia 30 de novembro, Rodrigo Marino é o nosso convidado.

Por que você é candidato a presidente do Santos?

“Na verdade, o grande motivador para eu querer ajudar o clube, é a situação em que ele se encontra. O clube vive sua pior crise financeira, moral e ética de todos os tempos. O clube está em uma situação que jamais algum santista poderia ter imaginado que fosse ocorrer, fruto de gestões passadas que, por falta de capacidade, levaram o clube à uma incerteza de sua continuidade. A nossa dívida e o nosso futuro está em cheque. Como todo santista, me sinto na obrigação de tentar ajudar o clube, e doar o meu tempo e conhecimento de gestão. Eu costumo dizer que um presidente ele normalmente sabe de tudo um pouco: de jurídico, de marketing, de comercial… Agora, o grande diferencial de um gestor é justamente entender muito de gestão de pessoas. Um gestor tem que saber montar e motivar muito bem sua equipe, e cobrar metas em cima de resultados. Eu, acreditando que reúno essas condições, me vi na necessidade de tentar ajudar o clube”.

“Na eleição passada para essa o que mudou no Andres Rueda, vou te dizer: mudou que, infelizmente, eu tive mais um período de experiência de como as coisas no Santos não são de acordo. Infelizmente a gente participou de um comitê de gestão durante seis, sete meses, que pude ver tudo que não se deve fazer com o clube”.

Por que você é o mais preparado para assumir o Santos?

“A questão não é de ser o mais preparado ou não em relação ao outro, isso aí eu nem considero. Eu me julgo preparado, primeiro pela minha ‘expertise’ de vida. Durante toda minha vida eu adquiri experiência administrativa de gestão praticando. Eu me preparei estudando, minha vida foi uma vida de prática. Eu passei por empresas, tive empresa própria, a maioria dos problemas que o Santos vive eu enfrentei e resolvi. Então eu sei o quanto é importante ter uma equipe por trás, e ninguém sozinho consegue fazer nada. O diferencial da nossa chapa e ao que a gente se propõe, justamente é isso. A nossa chapa foi montada através de um movimento de pacificação santista. O clube atravessa nos últimos 10 anos uma briga de política intensa, vários grupos com ideias diferentes que criou um caos interno. Isso nos leva à situação que está hoje”.

Quais as propostas para as Sereias da Vila?

“São todos os pares do clube que têm que ser ouvidos. Eu não consigo fazer ações ou abrir projetos na base do achismo. “Eu acho que isso vai ser bom para a torcida feminina”, “eu acho que será bom para o sócio”. Acho que é a obrigação nossa ir até eles e escutar. Vamos escutar a torcida feminina, o que eles precisam para frequentar mais, pra apoiar mais o clube. Vamos escutar o sócio, vamos escutar a torcida… Isso, na verdade, é em qualquer empresa. Para saber o que tem que produzir, tem que saber o que o cliente tá querendo comprar e precisa. Óbvio que temos que ouvir a torcida feminina, e dentro do possível fazer projetos para atender. Quanto ao futebol feminino, sobre investimento, o clube hoje vive a pior crise financeira dos últimos tempos. O clube, infelizmente, através de medidas erradas, levou à uma situação pré-falimentar. Então, o clube precisa se reestruturar em todos os sentidos. Na parte financeira, o que tem que ser feito é simples: primeira coisa é equacionar a despesa originária, ou seja, àquelas que você tem recorrente todo mês, com outra receita. O Santos arrecadava 10 (milhões) e gastava 15, enquanto tinha crédito, foi pegando os créditos e pagando os 15. Só que agora acabou o crédito, o Santos não tem crédito, não tem ativo, não tem mais como fazer isso. Vai doer na carne, mas o clube vai ter que equacionar receita ordinária com sua despesa ordinária. O clube não pode gastar mais do que arrecada. O principal objetivo, no começo da gestão, é equilibrar essas contas”.

Como elevar novamente o patamar das categorias de base?

“Parece que as respostas são repetitivas, mas é que esse mal carece o Santos em todas as áreas. A nossa base está, sim, destroçada. Ela não tem processos, a gente não tem uma maneira clara de captar jogo, aquilo que o Santos tinha de bom, de ter olheiros no Brasil inteiro. Isso se perdeu. Na verdade, a gente não tem o processo de como o jogador irá fazer a peneira. Tudo isso a gente pretende rapidamente criar o jeito do Santos de ser. Qualquer entidade, qualquer clube, ele tem que ter continuidade. Qualquer um que sente na cadeira de responsável, ele pode melhorar o que existe, mas esquecer o modelo operacional que foi plantado. Se perdeu tudo isso, hoje existem várias críticas, que a base é formada por jogadores indicados por empresários. Isso não funciona, não é modelo que queremos para o Santos. Além das condições de infraestrutura para a base, tempos que resolver isso urgente, não dá para ter o nosso maior patrimônio e futuro jogando cheio de sujeira, tipo o CT Meninos da Vila, aquilo é uma vergonha. A gente tem que dar infraestruturas e criar processos. Isso com certeza está está dentro do nosso programa, é uma das coisas mais prioritárias as ser implementadas”.

Qual a solução para resolver o problema das cadeiras cativas da Vila?

“A falta de diálogo com o Santos com seus parceiros. Eu tenho certeza que se o Santos conversar com proprietários das cativas e propor algo interessante, vai ter aceitação total. A cativa está lá à disposição. É um direito adquirido, eles pagam manutenção todo mês, no contrato, dá o direito de ir ou não ir, é inquestionável. Na conversa tudo se resolve. É conversar. Dizer ‘quando você não for, avisa o clube e deixa eu vender essa cadeira ao público’. O que a gente faz? Acumula pontos, eu te dou desconto na manutenção ou divido o valor do ingresso. A gente tem que pensar que quase 100% dos donos das cativas é santista, então, precisa achar solução. Toda ação negativa, tem uma ação negativa. O clube perdeu a habilidade de conversar”.

É a favor do retrofit da Vila Belmiro?

“Essa última apresentada, um mês após ter sido inaugurada na Vila Belmiro a maquete de outro projeto, o que a gente viu do projeto da WTorre, é um projeto arquitetônico muito bom, é muito aderente ao que a gente imagina ao Santos à médio e longo prazo. A indústria do entretenimento, como a gente querendo levar o Santos para esse patamar, precisa de um espaço que seja mais que um espaço de futebol, precisa ter área de convivência, ter área para a molecada se entrosar, tem que ter restaurante, tem que ter facilidades. Então o projeto arquitetônico é aderente e muito interessante. A única ressalva que faço é que precisa acertar muito bem o aspecto comercial dessa operação. Essa arena vai amarrar o clube por 30, 35 anos, dentro do modelo de negócio, e vou citar um exemplo: quando foi apresentado o projeto foi umas perguntas que fiz para o pessoal da W Torres, se eles esperam que o Santos jogue todos os jogos de mandante na arena. Eles falaram que “sim”, aí complica, pois como é que pode, durante 30 anos, jogar só na Vila Belmiro. E em São Paulo, não vou jogar nunca? E outra praças? Aí não tem muito sentido, acho que o Santos tem que ter autonomia para saber onde joga. Se joga na arena em Santos, se joga em São Paulo.

Como ter credibilidade com o elenco para sanar as dívidas?

Credibilidade você não gera por decreto, credibilidade você obtém por ações. O Santos tem que ter um orçamento dentro da sua realidade, despesa tem que caber na receita, ponto. E não pode assumir compromisso maior que não pode pagar. A partir do momento que você faz isso, você passa a não atrasar salário, a não atrasar direito de imagem, pois esses valores vão estar dentro do planejamento que você sabe que tem que pagar, você que terá receita pra isso. O que não pode é o que acontece hoje: jogador é contratado, renova salário, desmonta… É adequar a despesa a receita. Se o clube não fizer isso, não tem solução de continuidade. Aí você tem o elenco desmotivado, a marca do clube não passando credibilidade. É vergonhoso uma empresa que não honra o salário de seus funcionários, não pode acontecer isso. No futebol profissional acontecer isso é vergonhoso. Demonstra a falta de capacidade e responsabilidade de gestões passadas. Não tem cabimento. Não pode acontecer dentro de um clube minimamente organizado.

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