Bastidores ENM

Ceará pode perder até 50% de receita por causa da pandemia, diz presidente do clube

Presidente do Ceará, Robinson de Castro. FOTO: Assessoria de Imprensa/Ceará

A coluna Bastidores ENM está no ar. Neste espaço, teremos o foco nos bastidores do futebol brasileiro e mundial, entrevistas exclusivas de dirigentes e notícias do marketing esportivo.

A estreia acontece com um bate-papo exclusivo com o presidente do Ceará, Robinson de Castro, que nos revelou que o Vozão pode perder até 50% da receita prevista para 2020 devido aos impactos da pandemia do novo coronavírus no futebol.

Isto é, o clube previa arrecadar R$ 100 milhões este ano e, de acordo com a visão mais pessimista do dirigente, pode angariar somente R$ 50 milhões. Para fechar o fluxo de caixa, Castro afirmou que o Vozão vai precisar aumentar a dívida, por meio de empréstimos.

O presidente avaliou, no entanto, que esse aumento da dívida não preocupa por causa da baixa dívida do clube, que hoje está na casa dos R$ 14 milhões, a menor da elite do futebol brasileiro.

Num papo de quase uma hora, o dirigente também falou que os campeonatos precisam ser cumpridos, pensando nos contratos comerciais. Ele prevê que o Campeonato Cearense e a Copa do Nordeste voltem no início de julho, mas ressaltou a importância de todos estarem prontos para isso ocorrer.

Robinson de Castro comentou, ainda, sobre temas importantes do momento atual do futebol brasileiro, os desafios impostos pela pandemia e até citou que o Ceará precisa aproveitar um possível redesenho das forças do nosso futebol daqui a uns anos para subir de prateleira entre os clubes do Brasil.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Robinson de Castro, presidente do Ceará!

Esporte News Mundo: Primeiramente, como o senhor está de saúde? O senhor foi infectado pela covid-19, ficou doente… como o senhor está agora?

Robinson de Castro: Estou 200%. Fui infectado em março, de quarentena até o início de abril. Fiz todos os exames, estou bem e levando a vida normal.

ENM: Antes de voltar aos treinos, o Ceará realizou a testagem nos seus funcionários, jogadores e comissão técnica. O senhor pode fazer um balanço desses testes e como estão hoje os positivados?

RC: Fizemos todos os testes, os para saber se a pessoa já criou anticorpos e o PCR para saber se a pessoa está com a doença. Os que foram identificados com o vírus presente não significa que estão doentes. Às vezes precisa só da quarentena de alguns dias. Alguns já voltaram a treinar e outros não voltaram ainda por causa do período da quarentena. Praticamente todos estão assintomáticos e vão participar dos treinamentos até o fim da semana, com exceção do Leandro Carvalho, que, além da Covid-19, teve apendicite e precisou passar por uma cirurgia. Há a necessidade de testar constantemente, e temos o protocolo de fazer os testes quinzenalmente para preservar a saúde de todos com o acompanhamento individual não só dos atletas, mas também os familiares.

ENM: Como o Ceará pensa sobre a volta definitiva dos jogos? O que seria ideal: aguardar um aval dos especialistas em saúde ou acredita que é possível retornar adotando protocolos de segurança?

RC: Tem que unir as duas situações. Tem que ter autorização das autoridades locais, como a secretaria de saúde, Prefeitura, Governo do Estado, o protocolo já pronto para ser aplicado nos jogos e também todos os clubes cumprirem os seus próprios protocolos. Aqui (no Ceará), Ceará e Fortaleza têm mais estrutura, estão na Série A e já conseguem fazer isso tranquilamente. Os de menor porte precisam de mais tempo.

Então, o Campeonato Cearense só pode voltar quando todo mundo tiver apto a voltar. Imagino aqui que, na intuição minha, que na primeira quinzena de julho volte o campeonato estadual com portões fechados. Ainda tem a Copa do Nordeste, que também acho que deve voltar em julho. Uma intuição minha para que em agosto comece o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. Aí já vai ter que viajar, é mais complexo.

Na minha cabeça, dentro do mês de julho dá para encerrar, no máximo, as competições locais. Mas também não adianta só o estado do Ceará concluir suas competições em julho porque vamos disputar a Série A com clubes de outros estados. Tem que haver uma articulação para isso acontecer ao mesmo tempo. A ideia é que a partir do fim do mês já comece a fazer treinos coletivos. É uma expectativa que eu tenho.

ENM: Em relação ao calendário, qual é o posicionamento do Ceará sobre o estadual? Acredita que é possível cumprir o calendário de 2020 com a manutenção dos estaduais ou já pensa que é possível sacrificá-los?

RC: O calendário precisa ser cumprido, o estadual, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Nordeste. É uma unanimidade que precisamos cumprir nossos contratos, temos patrocinadores em cada uma dessas competições, cada clube tem seus parceiros. Tem a questão de não quebrar nenhum contrato ou criar qualquer imbróglio comercial.

Então, a ideia é que a gente cumpra todo esse calendário, é um pensamento do clube e de quem organiza o campeonato, a Federação Cearense (estadual), a Liga do Nordeste (Copa do Nordeste) e da CBF nos nacionais. A gente pretende concluir tudo isso, mas evidentemente que este ano o campeonato não vai terminar em dezembro. Vai entrar o ano de 2021, em janeiro ou, quem sabe, até fevereiro.

ENM: E sobre as categorias de base e o futebol feminino? Como o clube tem trabalhado?

RC: Isso ainda está um pouco nebuloso. Mas as informações que tenho, embora fragmentada, é que o Brasileirão feminino vai acontecer. Se vai ter o nacional, ao mesmo tempo vai ter times para disputar o estadual. Sobre a base, o sub-23 (aspirantes) vai ser mantido. O sub-20, que é o Brasileirão e a Copa do Brasil. Ao mesmo tempo se for acontecer o nacional, deverá acontecer o estadual. Há uma dúvida em relação ao sub-17 porque não sabemos se vai acontecer a Copa do Brasil da categoria. Eu acho que vai acontecer, é uma previsão minha.

Tenho dúvidas se vão acontecer o sub-13 e o sub-15 local, porque são muito jovens e exigem mais cuidados. Parece que há possibilidade de não acontecer. É uma preocupação nossa porque temos garotos em formação, ativos que o clube está desenvolvendo e tem que ver alguma alternativa para manter esses atletas em algum nível de atividade, nem que seja mínima, para gente não perder um trabalho e uma metodologia implantada no clube de que a gente precisa criar ativos no clube desde a escolinha. Não é uma decisão ainda, mas tenho ouvido falar que há essa preocupação para controlar os mais jovens e evitar esses garotos dentro do mesmo ambiente. Acho que vão postergar esses campeonatos.

ENM: Em relação às finanças, quais as dificuldades impostas pela pandemia ao Ceará neste momento? Onde o clube está com mais dificuldade? E o que a sua gestão tem feito para minimizar esses impactos?

RC: O desafio é grande, mas não é um desafio só do Ceará, dos cearenses, nem só dos brasileiros. É também dos clubes mundiais e de todas as organizações, privadas ou públicas. É uma crise econômica que atingiu o globo, e estamos inseridos nisso. Nós temos tomado algumas medidas, algumas em cima das oportunidades que o governo permitiu por meio da MP que autoriza suspensão ou redução do horário de trabalho, aplicamos isso em todos os setores do clube.

Mas a gente também tem a vantagem de ter feito o dever de casa. A gente eliminou todos os nossos custos desnecessários, eliminamos o passivo, temos o menor passivo da Série A. Também temos um endividamento controlado e não estamos carregando dívidas salariais, não temos dívidas trabalhistas. Enfim, temos uma certa credibilidade no mercado financeiro, muita gente me procurando até para aportar aqui a nível de empréstimo. A gente tem tido um pouco de vantagem em relação a boa parte dos clubes do Brasil, muitos em dificuldades, com passivos elevados e com atrasos salariais. O que não é o nosso caso.

Isso nos dá certa vantagem, porque todo mundo está largando de um certo ponto, e quem está com mais peso vai demorar mais e quem está com menos peso vai avançar mais rápido. Estamos com o clube mais enxuto e controlado, com credibilidade com o mercado, os atletas e funcionários.

ENM: O Vozão apresentou superávit em seus resultados financeiros por cinco anos seguidos, batendo recorde em 2019, e possui a menor dívida da elite do futebol brasileiro, na casa dos R$ 14 milhões. Qual tem sido a receita seguida para o Vozão chegar a esses números?

RC: A gente tem aqui um modelo de gestão que começou há 12 anos, ninguém chega e consegue fazer isso do dia para noite. Nós chegamos aqui em 2008 e, na época, o Evandro (Leitão) como presidente e eu como vice. Nós tínhamos essa consciência de que a gestão devia ser responsável, ou seja, gastar só o que arrecada. Uma coisa tão simples, mas que no mundo do futebol não acontece regularmente. A paixão, o emocional, a pressão e a irresponsabilidade norteiam o futebol.

O Ceará tomou uma decisão diferente, apesar de às vezes não ser bem compreendida pela torcida e pela imprensa, manter o pé no chão para subir de degrau em degrau e procurando, dentro dos recursos disponíveis, minimizar as despesas e os desperdícios e aplicar recursos para pagar dívidas, outras para investimento do clube e outro para o futebol. Mas não tudo na mesma cesta, jogando tudo que se arrecada no futebol, porque se não investir, liquidar dívidas e o futebol não funcionar, você entra numa espiral negativa financeira que vai custar uma situação de descalabro. Aconteceu aqui no Nordeste com clubes que até então estavam em patamar destacado, como o Sport e o Vitória, que tiveram problemas de gestão, estão em dificuldades e vão precisar de alguns anos, com boa gestão, para retomar o papel de destaque no cenário brasileiro.

Então, hoje, o Ceará está em outro patamar, mas precisamos alcançar outras dimensões dentro de uma oportunidade que se abra num momento que há um redesenho da elite do futebol brasileiro, porque antes se resumia aos quatro do Rio, quatro de São Paulo, dois de Minas Gerais e dois do Rio Grande do Sul. Parece que esse desenho começa a permitir uma mudança nele. Já tem o Athletico-PR figurando entre os grandes, mas fez o dever de casa, passou 15 anos sendo criticado, mas que conseguiu subir de patamar. Como nós, o Bahia, o nosso próprio rival Fortaleza. Eu acho que haverá entre cinco e dez anos uma nova configuração do futebol brasileiro. E nós temos que nos preparar para ocupar esse espaço, vai exigir muito trabalho, mas precisamos continuar trilhando esse caminho.

ENM: Para 2020, o Ceará prevê pouco mais de R$ 100 milhões de receita. Diante da crise, vai ser possível manter esses números?

RC: Não, sem possibilidade. Sendo otimista, vamos ter uma redução de 30% no orçamento, podendo chegar a 40 ou até 50%. Então, vai exigir de nós também uma necessidade de readequação do nosso fluxo de caixa. Despesas que estavam programadas, nós não vamos mais executar algumas. Claro que não falo de interrupção de folha de pagamento, mas de investimento.

Vamos ter que nos endividar um pouco mais para poder fechar o fluxo financeiro. Não é feio, até porque o clube está saneado e tem capacidade de se endividar sem se comprometer e principalmente porque todo mundo vai buscar dinheiro no mercado para poder fechar os compromissos. O importante é cumprir a agenda com atletas e colaboradores, tendo o ser humano em primeiro lugar, e amanhecer na Série A de 2021. Isso aí seria a nossa estratégia.

ENM: O quanto o senhor prevê o crescimento da dívida?

RC: Se ela dobrar, ainda fica muito confortável para o clube. Então, por exemplo, se eu tiver um aumento de 100% da dívida ainda é muito confortável. Diferente de quem tem um endividamento de R$ 200 milhões, que vai passar para 400. O nosso endividamento, mesmo dobrando, ainda é o menor do Brasil. Você vê a alavancagem financeira que temos a capacidade de fazer. Se amanhecermos na Série A mesmo com o aumento da dívida e de uma forma que a gente esteja saudável financeiramente, a gente vai sair mais fortalecido que com certeza muitos não vão conseguir.

Alguns estão tentando colocar todos os seus pecados na pandemia, enquanto já vêm ao longo dos anos de situação pré-falência. Conseguindo se manter por ter uma camisa muito forte, na expectativa de vender algum jogador para o mercado externo. Mas do jeito que o mercado está, embora exista a paridade cambial favorável, ainda assim, esses clubes não vão conseguir navegar bem nos próximos anos. Vamos ter facilidade nesse sentido, mas temos de valorizar o caixa, o nosso foco. Eu digo que o caixa é o rei e quem tá com dinheiro em caixa, ou quem tiver essa capacidade de fazer caixa, vai conseguir fazer a travessia. Quem não tiver não vai fazer a travessia. O caixa é que vai garantir cumprir os compromissos do clube, que é a folha de pagamento, essencial para sobrevivência e sustentabilidade.

ENM: Os clubes têm conversado sobre as dificuldades que têm passado? Há algum movimento no sentido de pedirem algum tipo de ajuda financeira à CBF, por exemplo?

RC: Não acredito que a gente vá passar o pires, e alguém vai botar uma moeda. Acredito que se alguém colocar algum dinheiro, é para receber depois (nota: a CBF anunciou logo após a entrevista uma linha de crédito de R$ 100 milhões para os clubes da Série A). Não vai ter alguém chegar e fazer uma doação para os clubes. E quando alguém fizer alguma entrega de recursos para você, você vai comprometer o fluxo atual ou futuro.

O que eu vejo é que para gente que está numa situação complicada, porque hoje arrecado 20 a 25% do que deveria e preciso completar com capital de terceiro. Para gente já é complicado, imagina para quem está muito comprometido, inclusive com bloqueios judiciais, problemas trabalhistas, folhas atrasadas, com custo de operação alto… então, é realmente um grande desafio.

Eu disse estar otimista numa entrevista recente, e estou mesmo. Há uma grande oportunidade de fazer a diferença agora. Entre pontos negativos e positivos, temos muito mais pontos positivos. Dentre oportunidades e ameaças, temos mais oportunidades do que situações nos ameaçando. Essa variável externa é negativa para muita gente. Para nós também é, mas em menor peso. Estou otimista e feliz porque fizemos o dever de casa. Foi fundamental para nossa sobrevivência e, depois, a sustentabilidade. Vamos sair mais forte dessa situação.

ENM: Como transformar a boa gestão financeira em títulos para além das fronteiras do estado e não repetir o ano de 2019, por exemplo, quando o time quase caiu para a segunda divisão? Qual é o caminho que o Ceará está seguindo dentro de campo?

RC: Nós subimos em 2017 e fizemos um campeonato bom em 2018, com campanha de Libertadores se somar só o pós-Copa, com campanha de recuperação. No ano passado, nós permanecemos muito mais por demérito do Cruzeiro do que pelo nosso próprio mérito, embora tivéssemos investido muito mais no ano passado que em 2018. Mas não houve uma resposta suficiente. Este ano fizemos o maior investimento no futebol da história do clube, temos a maior folha da história. Adquirimos jogadores importantes, cobiçados por outros clubes e vencedores, como o Fernando Prass e o Rafael Sobis para trazer também esse espírito para dentro do clube. E, claro, o objetivo é justamente a permanência. Justo pelo que você falou. Uma queda para a segunda divisão significa um impacto para as finanças, embora o Ceará, se acontecer, cai de pé, porque nos preparamos. Mas interrompe um ciclo de evolução, e isso é a gente quer evitar.

Então, nós fizemos um investimento muito maior no futebol, acho que é o elenco mais qualificado da nossa história também. Não temos investimentos, mas também não tem grandes problemas para fazer o nosso trabalho para desenvolver a Série A. Nosso terceiro ano (seguido) na Série A, o clube ganha experiência com isso e fica mais cascudo, aprende mais. Primeiro clube do estado a ficar três anos seguidos na Série A. Procurar aprender com os erros e trabalhar para fazer um ano mais tranquilo, um ano que vai ser de oportunidade para esses clubes mais organizados, independente do tamanho, poderem ter melhores resultados, porque muito vão ter mais dificuldades de tocar a vida dentro da Série A.

Não falo que o Ceará vai ser campeão brasileiro, mas, assim, tem três clubes muito organizados, como o Flamengo, o Palmeiras e o Grêmio. Esses disputam o título. O Athletico-PR não é favorito, mas corre por fora. E outros quatro clubes emergentes que estão organizados: Bahia, Ceará, Fortaleza e Goiás. Esses oito clubes aí têm boas chances de sofrerem menos para garantir uma permanência.

ENM: O Ceará possui cerca de 270 funcionários, desde atletas àqueles que trabalham na sede do clube, no CT etc. Mesmo diante das dificuldades impostas pela pandemia, o Vozão deu um bom exemplo e não demitiu ninguém, ao contrário de outros clubes. Como o Ceará conseguiu preservar esses empregos?

RC: Primeiro, nós somos um clube enxuto. Nós não temos gente em demasia ou cabide de emprego. O Ceará tem 270 funcionários, o Fortaleza tem um pouco mais que isso. O Sport tem mais de 400, e o Bahia mais de 500. Nós investimentos em processos, em tecnologia, informática, metodologia e capacitação de pessoas. Estamos com uma fundação dentro do clube que é a melhor escola de gestão da América Latina, a nona do mundo. Um capital intelectual dentro do clube na busca de eficiência e boas práticas. Perder alguém do clube hoje é um prejuízo, porque vou ter que trazer de volta mais na frente. As pessoas já estão alinhadas ao projeto que desenvolvemos.

Por sermos um clube responsável e que privilegia as pessoas, sejam atletas ou qualquer outro funcionário, procuramos garantir essa permanência. Temos a certeza de que vamos ter uma resposta grande quando tudo passar em termos de dedicação, na procura de retribuir essa aposta do clube.

ENM: Como está o programa de sócios do Vozão nesta pandemia? O clube já fez feirões para manter os que já são associados e angariar novos. Surtiu efeito? E qual a expectativa de número de sócios da gestão para o fim de 2020?

RC: Mudamos o nosso programa de sócios, que estava muito defasado. Não tinha mais apelo junto ao torcedor. A equipe anterior era uma empresa contratada que não investia em tecnologia e em relacionamento. Fizemos uma roupagem no programa, contratamos uma consultoria, montamos uma equipe, adquirimos algumas ferramentas, criamos estratégias e em 10 dias reiniciamos o programa e fizemos 22 mil sócios. Um projeto que chegaria a 40 mil sócios se não tivesse tido a pandemia. É tão importante o que estou falando que o nosso nível de inadimplência hoje é menos de 1%. Ou seja, a retenção de sócios hoje é o nosso grande diferencial.

O programa se modernizou de tal forma que todo dia ele surpreende o seu sócio mesmo sem ter bola rolando. Temos faturado da pandemia para cá – não é dinheiro que entrou no caixa, são novos contratos anuais – um pouco mais de 1 milhão de reais. Significa que é torcedor fazendo o sócio mesmo sem a bola rolar, porque quer ajudar o clube e se identifica. Mesmo na pandemia, temos conseguido fazer sócios nessa dimensão, é pouco, mas dentro da nossa situação é muito.

Lançamos a camisa Nação Alvinegra, desenhada por torcedores. Em três dias, vendemos mais de três mil camisas, faturamos 1 milhão de reais. Não temos braço para administrar lojas, a gente franqueou. Estamos estruturando programa de sócio, de licenciamento, de franquia (marca própria), tudo isso ao mesmo tempo em um só momento, criando uma articulação e um relacionamento com o nosso torcedor-consumidor-cliente. Consome e precisa ser muito bem tratado. Não acho que a nossa estrutura hoje que a gente entrasse num contexto desse, comercial e negocial de relacionamentos, sozinhos.

A gente precisava de gente que sabe fazer isso, então, é uma coisa forte na minha gestão. Tenho profissionalizado todos os departamentos do clube. Quando crio algo novo, quero fazer com os melhores profissionais e depois a gente internaliza isso. Estou muito feliz pela resposta, uma demanda reprimida absurda que a nossa torcida está apresentando agora.

ENM: Em dezembro do ano passado, o Ceará lançou a marca própria de material esportivo. Qual é o balanço que o senhor faz desses seis primeiros meses da Vozão? Em números, já é possível dizer que deu certo?

RC: Vendi mais camisas este ano que nos últimos dois anos. E o ano nem começou direito e tem uma pandemia no meio. É sucesso absoluto. Vamos sair com a camisa Poder Alvinegro que cabe no bolso do torcedor mais humilde, mas que quer ter uma réplica daquela ali igual. Muda um pouco a sofisticação da camisa, mas ela é similar a que o jogador usa, mas que cabe no bolso dele. Temos que procurar a atender a todos os torcedores do Ceará do mais abastado ao menos. Isso é o relacionamento. Queremos que o nosso torcedor, todos eles, participe e adquira os nossos produtos. 

ENM: Qual é o planejamento do Ceará para o Campeonato Brasileiro? O que o Vozão almeja no Brasileirão deste ano?

RC: Simples: permanência. Não podemos aqui deixar de calçar a sandália da humildade. O Ceará era um clube estabelecido na Série B, nunca esteve na Série C e está trabalhando para se consolidar na Série A. Nós estamos há pouco tempo na Série A. Tivemos 2010 e 2011, e agora 2018, 2019 e 2020.

Agora a gente está trabalhando para se firmar na Série A, e a permanência é uma grande conquista, e o que vier a mais, claro que a gente vai comemorar bastante. Mas não deixa de ser um grande título uma permanência na Série A. Temos que ter essa capacidade de perceber isso, porque a gente precisa fazer ainda mais investimentos, precisamos nos fortalecer mais ainda enquanto clube, nos tornar cada vez mais sustentável, fazer isso de forma segura e contínua para gente poder fincar cada vez mais nossa bandeira na Série A.

Isso que temos de fazer com apoio da torcida. Todo mundo aspira muita coisa, eu também, claro, mas a gente precisa ter a inteligência e a humildade de saber que o principal objetivo é a permanência na Série A. Não significa que a gente vai trabalhar só para isso, vamos trabalhar para pensar no topo, porque quando pensa no topo, a gente fica mais perto dele, e quanto mais perto dele, a permanência na Série A é garantido e já um grande feito.

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