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Ricardo Drubscky fala em entrevista de seu projeto no Boston City FC, em Manhuaçu-MG

Foto: Divulgação / Boston City FC Brasil

Manager do Boston City FC, de Manhuaçu-MG, Ricardo Drubscky acumula passagens como diretor e técnico por equipes como Cruzeiro, Fluminense e Atlético-MG. Ele concedeu entrevista exclusiva em duas partes ao Esporte News Mundo e falou de seu atual trabalho, o período em que esteve na Raposa e mudanças que vem acontecendo nas estruturas do futebol brasileiro.

Nesta primeira metade da matéria, Ricardo destrincha sua relação com o Boston, que se prepara para disputar a segunda divisão do Campeonato Mineiro, cujo início está marcado para setembro.

O desafio de assumir o Boston City

— Já estive dentro de projetos de clubes grandes, médios e pequenos, dentro e fora do Brasil, e eu nunca me intimidei com nenhum tipo de projeto. Graças a Deus, o amor pelo futebol é muito grande. O meu prazer é estar no futebol. O Boston é um clube que está nascendo ainda mas tem muito potencial para ficar grande. Sinceramente, estou tendo muito prazer de estar aqui. É lógico, estou vendo muitas coisas nascendo, né? Muitas coisas ainda começando: captação de talento, formação… Nós vamos começar o processo do time profissional também. É uma questão mesmo de tempo, pra gente conseguir implantar todas as ideias ou, pelo menos, um grande número das ideias que a gente tem, pra fazer um clube muito bom, muito forte.

Relação com os jogadores do clube

— A gente procura passar isso (experiência) pros jogadores, sabe? A gente procura passar essa segurança, até porque os anos de bola nos fazem ter essa cancha para poder passar. Mas a vida no futebol é tão interessante que, jovens e mais experientes, mais famosos e menos famosos, bons e não tão bons, estão sempre convivendo de uma maneira muito harmoniosa e identificada. Então, da mesma forma que eu sinto que eles me respeitam e que posso passar muita segurança para eles, eu vejo que o ambiente também é bastante natural, bastante normal. E a gente leva a vida de uma maneira muito tranquila, temos uma relação muito tranquila. 

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O projeto técnico da equipe

— O projeto técnico do Boston City Brasil está sob minha responsabilidade, então tenho me entregado de todas as formas para tentar quebrar alguns paradigmas e coisas meio antigas do futebol. Tenho tentado contribuir para inovação de muitos processos: entendimento sobre captação e formação de novos talentos, qualidade de jogo, como construir jogo… Eu tenho tido essa preocupação de fazer um futebol bem aos moldes do futebol moderno e, geralmente, era o que eu tentava fazer em outros clubes. É claro que o tempo que que nos dão em outras equipes é muito pequeno, então a gente acaba não conseguindo concluir nossas ideias, nosso projeto. Uma das coisas que me trouxe pro Boston foi justamente isso: poder trabalhar de uma maneira mais profissional, pouco dependente da política. Então é mais ou menos por aí que a gente tira o prazer de estar trabalhando em um clube como Boston e contribuindo para o crescimento dele.

Pretensões do Boston para o futuro

— Olha, é lógico que, nós, como clube que somos, temos todas as pretensões de atuação no mercado. Captação, seleção e formação de talentos; negociar jogadores; fazer parceria com outros clubes; desenvolver e espalhar o Boston City FC para todo o Brasil com o sistema de academias, escolas de futebol; pretendemos conquistar campanhas vitoriosas de campo, acessos; conquistar títulos nas categorias de base e equipe profissional… A gente está por inteiro no mercado, querendo fazer tudo aquilo que um clube pode fazer. Claro, no passo a passo, né? E medir o que a gente pode conquistar, eu acho que ainda é bem temerário. Nós precisamos, primeiro, ter a nossa casa pronta e solidificar nosso nome. Enquanto isso, a gente vai tentando ganhar jogos, vai tentando fazer bons jogos, vai tentando criar padrões dentro de nosso trabalho, para podermos ir nos consolidando e, aí sim, pleiteando conquistas, fazendo projeções.

— O Boston está construindo um estádio, uma arena multiuso, com espaço para oito mil pessoas e com possibilidade de abrir para 12; está construindo um CT com proporções muito grandes; e pretende subir as divisões de acesso no futebol profissional. Eu acho que está escrita a trajetória que o Boston quer percorrer. Nós não vamos nos limitar a trabalho de base, até porque o mandatário maior daqui, o Renato Valentim (CEO do time), tem ideias muito mais auspiciosas, muito mais arrojadas, que é de ser um clube por inteiro. Um clube por inteiro trabalha, da iniciação esportiva, lá nos oito, dez anos, até o futebol profissional. Com a condição que nós estamos nascendo, com as perspectivas que estão surgindo, a tendência é a gente realmente se consolidar no mercado brasileiro e, quem sabe, até para conquistas um pouco mais arrojadas.

Impactos da pandemia no time e a relação do Boston com a cidade de Manhuaçu

— A pandemia tem afetado o Boston assim como está afetando todo o negócio no mundo, né? Em uns países mais que os outros. Infelizmente, no Brasil um pouco mais, né? Devido à maneira muito displicente como encaramos ela. Então, o Boston está afetado. Agora, sem dúvida nenhuma, Manhuaçu é uma cidade que vai realmente fazer uma diferença a favor do clube. Eu espero que Manhuaçu abrace o Boston assim como abraçou o Ipiranga (antigo clube da cidade, onde Drubscky também trabalhou) um dia. Abraçar com carinho, porque o dono do Boston é cidadão manhuaçuense e nós temos vários funcionários aqui dentro que são da cidade. A raiz é da região, é da cidade. Então, eu espero que abrace mesmo. Se assim for, nós vamos criar um uma marca muito forte aqui e vai facilitar, ou dificultar menos, as conquistas que a gente busca. 

Mencionado por Drubscky, o Ipiranga Futebol Clube foi uma equipe de futebol profissional também sediada em Manhuaçu-MG. Hoje extinto, em sua fase mais marcante, o time venceu as divisões de acesso do Campeonato Mineiro e chegou até a primeira divisão do torneio, onde ficou durante algumas temporadas. Durante a entrevista, o manager, que trabalhou lá em 1999, ressaltou o carinho dos torcedores locais com o clube e disse que, sempre que o param nas ruas, eles relembram essa época.

Função de manager

— É natural, né? Eu sou profissional que já está acostumado com isso. Eu sou mesmo uma interface entre a comissão técnica e o Renato (Valentim) e os membros do setor administrativo. Alguns deles trabalham comigo no dia a dia mas eu sou essa interface. Eu procuro dar um respaldo para o trabalho de campo e também fazer a minha parte de gestão, contribuindo com a parte de administração esportiva para o clube. É uma coisa que eu já estou acostumado a fazer também, então há muitas dificuldades não.

O futuro de Ricardo Drubscky

Manager do clube e técnico do elenco profissional do Boston, Ricardo Drubscky encerra a conversa falando de seu futuro no futebol:

— Eu sou um profissional muito aberto. Se amanhã tiver que ser treinador de novo, como vou ser do time profissional do Boston, eu vou ser. Estou aqui como manager e gestor técnico do projeto. E, como tal, vou ser o treinador da categoria profissional. Se tiver um projeto que me agrade pra ser treinador de campo, eu posso encarar; se tiver um projeto que me agrade como gestor esportivo, eu vou encarar também; então, pra mim, é super tranquilo. Eu sou homem do futebol e assim eu encaro. Eu nunca deixei de mexer com a parte técnica. Ainda que como gestor, eu sempre sou um camarada envolvido com as questões técnicas. Então, estou sempre no ambiente em que me sinto à vontade.

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